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Droga antiviral tem ação significativa contra coronavírus in vitro e em camundongos

Na mesma linha e com resultados também positivos, a droga foi testada em células dos rins de um macaco-verde africano infectadas pelo novo coronavírus

Publicado em 07/04/2020 às 11h27
Atualizado em 07/04/2020 às 12h06
kit de diagnóstico para coronavírus
Um antiviral se mostrou promissor contra o coronavírus em camundongos. Crédito: Bernardo Portella/Fiocruz

Um antiviral se mostrou promissor contra o Sars-CoV-2 em estudo in vitro e contra coronavírus em camundongos. A droga produziu melhora da função pulmonar e diminuição das cargas virais nos animais observados, segundo estudo publicado nesta segunda (6) na revista Science Translational Medicine.

Os pesquisadores, inicialmente, usaram a droga em células epiteliais pulmonares infectadas com Mers (que também é um coronavírus). Notaram, na aplicação, um potente efeito antiviral. Na mesma linha e com resultados também positivos, a droga foi testada em células dos rins de um macaco-verde africano infectadas pelo novo coronavírus.

Depois foi a vez dos testes em células epiteliais pulmonares humanas contaminadas. Mais uma vez, a droga se mostrou eficaz contra Sars-CoV-2 e outros coronavírus, como Mers, e não tóxica.

Finalmente, o estudo chegou aos modelos animais, com duas abordagens diferentes. A primeira analisaria o potencial protetor, ou preventivo, do medicamento. A outra, de combate ao vírus após a infecção.

Os cientistas administraram oralmente o EIDD-2801 (nome que a droga recebeu) em camundongos duas horas antes de os infectarem com uma variante do Sars-CoV. Após isso, continuaram a dar a droga aos animais a cada 12 horas.

Os resultados apontaram, sob uma dosagem de 500 mg/kg, uma diminuição da carga viral e menor hemorragia nos pulmões, o que consequentemente indica uma robusta ação antiviral e de prevenção de Sars-CoV.

Considerando o que foi visto, os cientistas usaram a mesma dosagens em testes terapêuticos, visando o tratamento da doença.

Novamente com roedores, os pesquisadores iniciaram o tratamento com a droga 12h, 24h ou 48h depois da infecção, administrando novamente a substância a cada 12 horas.

Os dados obtidos mostraram que os tratamentos iniciados 12h e 24h depois da infecção apresentam significativo resultado ao impedir perdas de massa corporal nos animais, quando comparado ao grupo de controle (no caso das 48 horas, a diferença entre os grupos era menor).

A hemorragia nos pulmões seguiu o mesmo caminho e foi significativamente reduzida com o tratamento em até 24h.

O funcionamento dos pulmões também apresentou melhora quando a droga era administrada até 12h após a infecção (para 24h havia melhoras esporádicas).

"A terapia com EIDD-2801 foi potencialmente antiviral contra o Sars-CoV em organismos vivos, mas o grau de benefício clínico depende do tempo de início do tratamento após a contaminação", dizem os autores.

Os cientistas também afirmam que a questão temporal para os ratos é mais compacta, o que para humanos pode representar uma maior janela de oportunidades para a administração da medicação.

Um dos pontos fracos do trabalho é que não foi possível dispor de modelos robustos com camundongos infectados pelo Sars-CoV-2. Isso ocorreu por não haver compatibilidade do receptor ACE-2 desses bichos com as proteínas dos vírus que usam esse encaixe para invadir células.

"As informações apresentadas apontam que o EIDD-2801 deve ser rapidamente testado em modelos primatas", dizem os pesquisadores. "Nossos dados mostram que a continuidade no desenvolvimento do EIDD-2801 como um potente antiviral de amplo espectro que pode ser usado no tratamento do coronavírus contemporâneo e possíveis outros coronavírus futuros", afirmam os pesquisadores.

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