Publicado em 29 de março de 2021 às 18:16
- Atualizado há 5 anos
O governador João Doria (PSDB) anunciou em comunicado nesta segunda-feira (29) que decidiu se mudar para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, localizada no Morumbi (zona sul da capital), depois que ele e sua família sofreram ameaças de extremistas que criticam sua gestão. >
Ao assumir o mandato, em 2019, Doria abriu mão do direito de morar no local e continuou residindo em sua casa, no Jardim Europa (zona oeste), que virou nas últimas semanas ponto de protestos que pedem o impeachment do governador e contestam as medidas de restrição adotadas por causa da pandemia.>
"O fanatismo ideológico [...] tem ultrapassado os limites do embate político e do questionamento técnico com ameaças à segurança da minha família e agressivas manifestações na porta da minha residência, perturbando o bairro e vizinhos", afirmou na nota.>
"Diante do radicalismo, decidi me mudar para o Palácio dos Bandeirantes. Ao menos, temporariamente.">
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Boa parte da ala residencial do Bandeirantes foi transformada por Doria em espaço de trabalho, com salas de reunião e escritórios em áreas antes destinadas à moradia do titular do Executivo estadual e seus familiares.>
O tucano, que é alvo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disse que "o negacionismo na pandemia deixou de ser um delírio das redes sociais, provocado pela paixão política, e está se tornando algo muito mais perigoso para a vida, a ciência e a democracia: uma seita intolerante e autoritária".>
"Tenho enfrentado os seguidores dessa seita com inquéritos policiais e ações judiciais, com medidas sanitárias e vacinas, instrumentos da lei e da razão", afirmou.>
Doria levou à polícia ameaças de morte que vem recebendo e externou em diferentes momentos preocupação com a sua integridade física e a de seus parentes. A primeira-dama do estado, Bia Doria, é também presidente do conselho do Fundo Social de São Paulo (braço do governo para ações sociais).>
Cercado por grades e sob forte esquema de vigilância, o palácio fica relativamente distante de áreas residenciais e já foi palco, no passado, de inúmeros protestos contra governadores.>
A casa de Doria no Jardim Europa vem sendo alvo de protestos desde a época em que ele era prefeito da capital paulista, entre 2017 e 2018. Em uma das ocasiões, em 2017, o muro da residência foi pichado com a frase "SP não está à venda".>
No início deste mês, o tucano também registrou queixa contra os responsáveis por um vídeo gravado da casa de uma vizinha. A gravação apontava o filho dele como responsável por um evento que estaria promovendo aglomeração de pessoas, o que não se comprovou.>
No texto em que comunicou a mudança, o governador comparou sua situação à vivida por seu pai na ditadura militar (1964-1985) –o então deputado federal João Doria (1919-2000) foi perseguido pelo regime após o golpe de 1964 e se exilou em Paris.>
"Regredimos a tempos obscuros em que a integridade física daqueles que defendem a vida e a democracia está sob ameaça", afirmou. "Vivi esse mesmo sentimento quando acompanhei meu pai no exílio, um democrata cassado pela ditadura.">
"Desta vez, no entanto, não haverá exílio nem ditadura. Haverá ciência, vacinas, vidas salvas e democracia. Meu desprezo por estes extremistas que ameaçam a mim, a minha família e ameaçam pessoas que defendem a vida ", completou.>
O governador afirmou se tratar de "uma decisão difícil, mas necessária" neste momento de "intolerância ao pensamento contraditório, de belicismo verborrágico e de cegueira ideológica".>
1912 - Governo de SP compra o Palácio dos Campos Elíseos para usá-lo como residência e sede administrativa. Foi construído em 1899 para um rico cafeicultor e hoje é cedido ao Sebrae>
1964 - Sede do governo passa para o Palácio dos Bandeirantes. O prédio começou a ser construído em 1955 para abrigar a Universidade Fundação Conde Francisco Matarazzo, mas a obra não foi terminada por problemas financeiros. O palácio foi então desapropriado pelo estado.>
Além de Doria, Paulo Maluf (1979) e Alberto Goldman (2010) preferiram não morar no Bandeirantes>
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