Publicado em 24 de março de 2021 às 18:42
- Atualizado há 5 anos
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que a mudança de tom do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no pronunciamento feito pela TV na noite da terça-feira (23), quando passou a defender a vacinação em massa para a população, foi um disfarce para enganar o país. >
Doria disse que o Bolsonaro faz um pacto com a morte. "É o que ele está acostumado a fazer ao propor cloroquina, não defender vacinas, não usar máscaras, estimular aglomerações e fazer um disfarce, como fez ontem [terça] no seu pronunciamento à nação. Foi um disfarce para enganar o país. Ali está o retrato de um mentiroso", disse o governador.>
"O presidente não só foi um negacionista desde o início da pandemia, como também não tem coordenação nacional, nem por ele nem pelo Ministério da Saúde", afirmou.>
Nesta quarta-feira (24), Bolsonaro fez uma reunião com governadores para discutir medidas de combate à pandemia no país. Doria, que não foi convidado para o evento, criticou a ação do presidente.>
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"Fazer um pacto de união nacional apenas com os que adulam e apoiam o presidente é um jogo de cena, e disso não participo. Lamentamos que o presidente chame isso de pacto nacional", afirmou.>
O governador fez as declarações durante uma entrega de vacinas no Instituto Butantan, nesta quarta-feira (24). Foram enviadas ao Ministério da Saúde mais 2,2 milhões de doses da Coronavac, usada contra o coronavírus Sars-CoV-2. Os imunizantes são encaminhados ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) para serem distribuídos proporcionalmente entre os estados.>
Com a entrega das vacinas nesta quarta, o total de unidades de imunizantes repassados pelo governo de São Paulo ao Ministério da Saúde chega a 27,8 milhões de unidades. Os envios começaram em 17 de janeiro.>
Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, a Coronavac é processada e envasada pelo Instituto Butantan através de um acordo entre o governo de São Paulo com a empresa.>
Segundo o governo de São Paulo, até o fim de abril o Instituto Butantan deve entregar 46 milhões de doses da vacina. Em agosto, o total deve chegar aos 100 milhões contratados pela pasta. Novos lotes do IFA (insumo farmacêutico ativo), a matéria prima para a vacina vinda da China, devem ser entregues até o fim de março ou início de abril, segundo o Butantan.>
A vacinação contra a doença é uma das maiores prioridades do combate à pandemia em meio aos números cada vez mais altos de mortes causadas pelo vírus no país. A Coronavac é, cada vez mais, a principal esperança na campanha de vacinação nacional.>
A outra vacina disponível no Brasil, a Covishield, produzida por uma parceria entre a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca e a Universidade de Oxford, é processada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) por meio de um acordo bancado pelo governo federal. Mas a produção tem sofrido atrasos consecutivos, e as estimativas de entregas do imunizante são constantemente reduzidas.>
Na terça-feira (23), o Centro de Contingência da Covid-19 recomendou que o estado de São Paulo prorrogue por mais 15 dias a fase emergencial do Plano São Paulo como tentativa de barrar o avanço do vírus no estado. A informação foi confirmada pelo coordenador do centro, o médico Paulo Menezes. De acordo com ele, o governo ainda não decidiu sobre a proposta.>
Em vigor desde o dia 15 de março, a etapa emergencial deve continuar até o dia 30 deste mês, inicialmente. Mais dura que a fase vermelha, a emergencial impõe um toque de recolher das 20h às 5h, entre outras restrições.>
Os altos números de expansão da doença no estado pressionam uma decisão por estender as medidas restritivas.>
Na terça-feira (23), somente o estado de São Paulo registrou 1.021 mortes causadas pela Covid-19 em um período de 24 horas, o número mais alto até o momento dentro da pandemia.>
Pelo estado, hospitais lotados dificultam o acesso ao cuidado dos doentes em estados mais graves, o que pode fazer crescer ainda mais o número de óbitos.>
No país todo, foram registradas 3.158 mortes causadas pelo coronavírus na terça-feira (23), um recorde de óbitos em um dia.>
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