Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Brasil
  • Documento atribuído à PF sobre conversas entre Nikolas e Vorcaro é falso e foi gerado por IA
Projeto Comprova

Documento atribuído à PF sobre conversas entre Nikolas e Vorcaro é falso e foi gerado por IA

Narrativa sobre o relatório, de que não haveria indícios de crime nas conversas entre ambos, foi publicada por sites e por perfis nas redes, inclusive o do deputado

Publicado em 04 de Setembro de 2026 às 21:24

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 set 2026 às 21:24
Conteúdo investigado pelo Comprova
Conteúdo investigado pelo Comprova Projeto Comprova

Depois do áudio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, ter sido divulgado na quinta-feira (3), circularam nas redes sociais conteúdos dizendo que a Polícia Federal (PF) havia concluído em relatório não haver crime, acusação formal ou indiciamento no caso das mensagens. O próprio deputado chegou a compartilhar a publicação com a informação em seu story do Instagram, mas o documento atribuído à PF é falso. 


Sites como o Diário360 e Pleno News (que foi verificado pelo Comprova em outras ocasiões) também publicaram textos sobre o suposto o relatório. O documento tem o logo da Polícia Federal e cita a operação Compliance Zero. Esse suposto relatório preliminar apresenta mensagens e áudios envolvendo Ferreira e Daniel Vorcaro. O deputado tratou com Vorcaro de uma negociação envolvendo um ex-assessor e um ativo minerário.

A Polícia Federal confirmou ao Comprova que o documento citado não foi produzido pela corporação.

Mensagem à PF
Mensagem à PF Reprodução

Além disso, consulta feita com o SynthID, ferramenta que permite verificar conteúdos gerados por inteligência artificial, encontrou marca d’água proveniente da OpenAI, dona do ChatGPT.

Verificação
Verificação Reprodução

Ainda na quinta-feira (3), o Aos Fatos publicou uma checagem com a informação de que o relatório era falso, mostrando que a ferramenta apontou ser conteúdo gerado por IA. Análise de manipulação de imagem feita pelo Comprova também aponta fortes indícios visuais e estruturais de falsificação digital devido a fatores como padrões gráficos inconsistentes, desalinhamento de blocos de texto, vestígios de edição no fundo da folha – como granulação irregular no padrão do papel – e inconsistências formais nos termos e logotipos institucionais.


Há também erros institucionais na imagem. O cabeçalho cita a “Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado”, mas o nome oficial de departamento equivalente na Polícia Federal é DICOR – Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção.

Qual a alegação do post investigado e quais são as suas fontes?

O texto do Diario360 afirma que “O relatório da PF, até o momento, não aponta que os contatos registrados tenham configurado crime ou prática irregular por parte do deputado”.


O conteúdo trata a informação como “exclusiva”. Não há links ou citações de outros jornais, de modo que o leitor não pode fazer a própria apuração. O texto atribui algumas das declarações a “aliados do deputado”, além da PF, e não é assinado por um jornalista.

Investigação sobre Nikolas e Vorcaro
Investigação sobre Nikolas e Vorcaro Projeto Comprova
Quem criou a postagem e qual é seu interesse na disseminação do conteúdo?

O conteúdo foi publicado pelo site Diário360, que tem cerca de 600 mil seguidores no Instagram. A publicação no Instagram acumulava 58 mil curtidas até a publicação deste texto.


O domínio do site foi registrado há menos de um ano, em 15 de outubro de 2025, e a última alteração cadastral foi feita em 20 de maio de 2026. 


Não há informações públicas no site de quem são os integrantes do Diário360, mas é possível ter acesso a elas a partir de publicações no Instagram. 


Em 19 de novembro de 2024, Fabiano Braga, então candidato a vereador de Fortaleza (CE) pelo Partido Liberal (PL), compartilhou em seu perfil do Instagram a criação do Diário360. 


Desde então, ele aparece como um dos principais porta-vozes do Diário360, celebrando marcos do site e participando de cortes de vídeos no YouTube.


Comprova procurou Nikolas Ferreira. O deputado afirmou, via assessoria, que repostou o conteúdo do portal de notícias que havia publicado o relatório. Mas, depois que descobriu que o conteúdo era falso, deletou o story. 


A reportagem também tentou contato com o Diário360, mas não houve retorno até a publicação deste texto.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O texto do Diário360 usa o selo “exclusivo” no título para construir uma manchete que induza o leitor a acreditar que a informação “PF não aponta irregularidade contra Nikolas Ferreira” é verdadeira. O site aproveita um assunto que está em alta  para captar engajamento sem citar fontes, links ou documentos para que o leitor possa fazer sua própria verificação. O layout do veículo também é similar ao de outros meios  de imprensa, o que confere credibilidade aos conteúdos publicados. 


O uso da imagem de um documento atribuído à PF em uma publicação no X também pode levar pessoas a acreditarem no conteúdo. Essa é uma tática de imitação de fontes confiáveis, combinada com o uso de conteúdo manipulado.


A estratégia visa induzir o público a aceitar o material como uma prova oficial e autêntica de um procedimento investigativo.


Fontes que consultamos: O Comprova entrou em contato com a Polícia Federal, que garantiu  que o documento compartilhado nas redes sociais é falso. Também analisou publicações no Instagram, eventualmente chegando a nomes ligados ao Diário360, que não estão citados de maneira clara no site. 


Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.


Outras checagens sobre o tema: Aos Fatos, Estadão Verifica e Agência Lupa foram algumas das agências que também verificaram o laudo atribuído à PF. 


Investigação e verificação

Investigado por: A Gazeta, Nexo e Projeto de Residência Comprova


Texto verificado por: NSC, Correio de Carajás, AFP e Projeto de Residência Comprova


O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a fraudes virtuais. A Gazeta faz parte dessa aliança.

Leia mais

TSE manda Flávio, Carlos e Marçal removerem vídeo falso sobre drogas em ato do PT

Fachin diz que pretende arquivar inquérito das fake news

Entrega de mídias de urnas em sala aberta segue protocolo e regras da Justiça Eleitoral

Interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos no primeiro turno

Golpistas usam nome da WePink para simular pesquisa e extorquir clientes

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Polícia procura foragido de presídio em Linhares
Polícia procura homem que fugiu de presídio em Linhares
Família procura mulher grávida desaparecida em Cachoeiro de Itapemirim
Grávida que estava desaparecida é encontrada morta em Cachoeiro
Imagem de destaque
Corrida pela beleza até dezembro: 7 erros que podem comprometer a pele, o rosto e o corpo antes das festas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados