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Defesa de Deolane Bezerra pede prisão domiciliar e diz que ela é inocente

O advogado Rogério Nunes, um dos seis que representam Deolane, afirmou que a equipe entrou com pedido de habeas corpus no TJSP, solicitando a substituição da prisão preventiva pela domiciliar

Publicado em 22 de Maio de 2026 às 13:11

Agência FolhaPress

Publicado em 

22 mai 2026 às 13:11
A influenciadora Deolane Bezerra deixa o DHPP em São Paulo.
A influenciadora Deolane Bezerra deixa o DHPP em São Paulo. Danilo Verpa/Folhapress
A defesa da advogada e influenciadora Deolane Bezerra — presa na quinta-feira (21) na Operação Vérnix da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público, sob suspeita de envolvimento na lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) — afirmou que ela é inocente e pediu à Justiça que fique em prisão domiciliar.
O advogado Rogério Nunes, um dos seis que representam Deolane, afirmou que a equipe entrou com pedido de habeas corpus no TJSP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) solicitando a substituição da prisão preventiva pela domiciliar.
"Ela é mãe de filha menor. Isso é pacificado. Só falta não dar para ela", disse Nunes.
Em nota, a defesa ainda afirma que Deolane é inocente.
"Ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno", traz nota.
"Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário", completa a nota.
Rogério Nunes afirmou que está se descolando para o interior de São Paulo para acompanhar a transferência de Deolane à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.
Segundo a investigação, a influenciadora é apontada como uma espécie de caixa do crime organizado.
A operação também cumpriu mandados de prisão contra Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe máximo da facção, e parentes dele. Marcola está preso em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília desde 2023.
Bruno Ferullo, que defende Marcola e seu imão — todos alvos de mandados de prisão na ação desta quinta — afirmou que o cliente não coordena a facção de dentro da cadeia, como apontam as autoridades.
Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.

Investigação começou em 2019 com apreensão de bilhetes

A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos pela Polícia Penal em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, com dois presos.
Segundo a polícia, a análise do material apreendido possibilitou a identificação de ordens internas do PCC, contatos com integrantes da alta hierarquia e menções a atos violentos contra servidores públicos.
Um dos trechos analisados mencionava uma "mulher da transportadora" que teria sido responsável pela informação de endereços de agentes públicos alvos de ataques planejados.
Um segundo inquérito procurou identificar quem é essa mulher e qual a relação dela com a transportadora do PCC. Os investigadores chegaram a uma empresa de transportes de Presidente Venceslau que seria usada para lavagem de dinheiro.
A investigação chegou até Deolane depois de identificar a ligação dela com Everton de Souza, o Player. Ele é apontado pela polícia como gestor indireto da transportadora Lado a Lado, suspeita de pertencer ao PCC.
Segundo a polícia, a facção colocava na transportadora o dinheiro arrecadado com atividades criminosas, que depois era repassado para outras pessoas. Everton era o responsável por indicar quem deveria receber a parte referente a Alejandro Camacho, diz a investigação.
A ordem era supostamente dada a Ciro Cesar Lemos, que figura junto com a esposa Elidiane Saldanha Lopes Lemos como proprietários legais da Lado a Lado. Os policiais afirmam que parte desse dinheiro foi depositado em contas de Deolane.
A quebra dos sigilos bancários, diz a investigação, demonstrou que Deolane movimentou milhões em nome do PCC, emprestando sua estrutura financeira e "aparente respeitabilidade social" para colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.
"O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado", disse o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa.
Deolane, segundo as investigações, chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço residencial. Os estabelecimentos, todos fictícios segundo as autoridades, criavam uma espécie de teia de movimentação financeira que dificultava a rastreabilidade dos recursos.

Deolane foi presa em 2024

Deolane Bezerra já havia sido presa em investigação sobre jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Ela foi um dos alvos da Operação Integration, uma cooperação da Polícia Civil de Recife e do Ministério Público, em 4 de setembro de 2024.
Ela foi detida com a mãe, Solange Alves, no bairro de Boa Viagem, zona sul da cidade. A investigação foi iniciada em abril de 2023 com a intenção de identificar e desarticular organização criminosa voltada à prática de jogos ilegais e lavagem de dinheiro.
Segundo o inquérito, a quadrilha usava várias empresas de eventos, publicidade, casas de câmbio, seguros e outras para lavagem de dinheiro feita por meio de depósitos e transações bancárias.
Deolane e a mãe foram soltas 20 dias depois, após as prisões preventivas serem revogadas.

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