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Cármen Lúcia determina que Ricardo Salles entregue passaporte à PF

Os advogados dele já foram intimados e vão cumprir a ordem judicial. Mas afirmam que ela era desnecessária; com a ação o ex-ministro não pode sair do país

Publicado em 25 de Junho de 2021 às 16:00

Agência FolhaPress

Publicado em 

25 jun 2021 às 16:00
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante cerimônia de sansão do projeto de lei (PL 1.095/2019) que aumenta pena para crimes de maus-tratos a animais.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante cerimônia de sansão do projeto de lei (PL 1.095/2019) que aumenta pena para crimes de maus-tratos a animais. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Com isso, ele não pode sair do país.
Os advogados dele já foram intimados e vão cumprir a ordem judicial. Mas afirmam que ela era desnecessária.
"Uma vez exonerado do cargo de ministro, ele não deveria mais estar sob a jurisdição do STF, já que perdeu o foro privilegiado", diz o advogado Roberto Podval, que representa o ex-ministro.​ "A politização do Supremo Tribunal Federal é ruim para qualquer um dos lados", segue ele.
Podval afirma ainda que vai agravar da decisão, "absolutamente contrária à jurisprudência da Corte".
Antes de decidir, a magistrada abriu vista para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que deu o parecer favorável à apreensão do passaporte. Eles argumentaram que a medida era necessária para preservar as investigações.
Salles pediu demissão do cargo nesta semana. Ele está sendo investigado por suposto envolvimento em um esquema de exportação ilegal de madeira.
O ministro do STF Alexandre de Moraes já tinha autorizado buscas e apreensões em endereços de Salles e até autorizado o envio do celular dele aos EUA para que a senha do aparelho seja quebrada.
Salles é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) por operação da Polícia Federal que mira suposto favorecimento a empresários do setor de madeiras por meio da modificação de regras com o objetivo de regularizar cargas apreendidas no exterior.
A demissão de Salles foi anunciada no mesmo dia em que as investigações de compras suspeitas da vacina Covaxin chegaram ao nome de Bolsonaro na CPI da Covid. O caso elevou a temperatura política no Planalto nesta quarta (23).
Salles deixa a Esplanada em meio a uma investigação da PF sobre um esquema de contrabando de madeira e criticado por ambientalistas pelo avanço do desmatamento na Amazônia.
A corporação apura suspeitas de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.
Salles também é alvo de um inquérito que investiga sua suposta atuação para atrapalhar a apuração da maior apreensão de madeira do Brasil, feita na Operação Handroanthus.​
Sua gestão foi marcada por ações contrárias ao objetivo da pasta, que é a preservação ambiental. Em dois anos e meio no cargo, enfraqueceu ou destruiu mecanismos de proteção das florestas, minimizou o impacto das queimadas, combateu quem fiscalizava infratores e reduziu a participação da sociedade civil na elaboração e implementação de políticas para o setor.

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