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Bolsonaro diz que desaparecimento de jornalista e indigenista pode ser acidente ou execução

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta terça-feira (7) que o desaparecimento do indigenista licenciado da Funai Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal Guardian, na Amazônia pode ser fruto de execução ou acidente.

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 07/06/2022 às 13h46

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta terça-feira (7) que o desaparecimento do indigenista licenciado da Funai Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal Guardian, na Amazônia pode ser fruto de execução ou acidente.

Os dois viajavam pelo Vale do Javari, no Amazonas, e estão desaparecidos. O último registro dos dois aconteceu na manhã de domingo (5), na comunidade de São Rafael.

jornalista e indigenista desaparecidos no Amazonas
jornalista e indigenista no Amazonas. Crédito: Reprodução I Twitter @domphillips e Funai

O chefe do Executivo disse classificou ainda como "aventura" não recomendada a viagem de Philips e Pereira.

"Realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela completamente selvagem é uma aventura que não é recomendada que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser acidente, pode ser que tenham sido executados", disse o presidente em entrevista ao SBT.

Ele contou ainda que as informações que o governo tem até o momento dão que eles teriam sido abordados por duas pessoas durante o percurso e que elas já teriam sido identificadas e detidas pela Polícia Federal.

"[A gente] Espera e pede a deus que sejam encontrados brevemente. As Forças Armadas estão trabalhando com muito afinco na região", completou.

A Terra Indígena Vale do Javari é frequentemente alvo de invasões de garimpeiros ilegais.

Durante o governo Bolsonaro, a prática se tornou mais frequente em alguns locais na Amazônia, diante de uma fiscalização menos presente, em especial em territórios indígenas.

Alvo de críticas por sua política ambiental, o presidente na entrevista ao SBT que não demarcou terras indígenas, quilombolas e de proteção ambiental, porque "já tem demais", não por ser "malvadão". Ele também defendeu o marco temporal, que está em discussão hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) e é defendida por ruralistas.

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro. Crédito: Agência Brasil | Tânia Rêgo

"Você não viu eu demarcando terra, demarcando [território] quilombolas, área de proteção ambiental. Nada. Não é porque eu sou malvadão. Já tem demais. Você não acha que é demais uma área do tamanho da região Sudeste, SP, MG, RJ, ES, demarcada como terra indígena? Quer demarcar outra área do tamanho disso ai. Segundo uma proposta que tá circulando no STF", disse.

TERCEIRO DIA DE BUSCAS

O terceiro dia de buscas pelo indigenista licenciado e pelo jornalista inglês começou nesta terça-feira com o envio de reforço de mergulhadores e especialistas em buscas na selva da polícia estadual do Amazonas.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas, mais nove policiais saíram de Manaus na manhã desta terça (7), com destino a Tabatinga e depois a Atalaia do Norte, a 1.136 km de Manaus.

O trajeto da equipe de resgate envolve transporte aéreo e fluvial, segundo o governo estadual, e, por isso, a previsão é que eles cheguem no final da manhã no destino para se juntarem à equipe de buscas que já atua no caso.

Já a Marinha informou que na manhã desta terça usa um helicóptero do 1º Esquadrão de Emprego Geral do Noroeste, duas embarcações e um jet ski nas buscas.

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