Dois cachorros foram flagrados brincando no meio do Rio Doce, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, na manhã desta terça-feira (4). Um vídeo registra os animais correndo sobre bancos de areia e nadando em frente à Ponte Florentino Avidos. (Veja acima)
A cena curiosa chamou a atenção de quem passava pelo local e evidenciou um fenômeno comum nesta época do ano: a formação de bancos de areia no leito do Rio Doce, favorecida pela redução do volume de água durante o período de estiagem.
Segundo o engenheiro agrícola e ambiental Raphael Moreira, os bancos de areia surgem naturalmente em razão da diminuição das chuvas na bacia do Rio Doce, principalmente em Minas Gerais, onde o rio nasce. Com menos água escoando, o nível do rio baixa e parte do leito fica exposta.
"O Rio Doce nasce em Minas Gerais e depende das águas das chuvas de lá. Nesse período de menor volume de precipitações, é natural que o rio apresente um nível mais baixo", explica.
Embora seja um processo natural, Raphael afirma que a formação desses bancos de areia tem ocorrido de forma mais acelerada nos últimos anos. Segundo ele, fatores como a degradação das matas ciliares, a ocupação irregular das margens e o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, contribuíram para intensificar o fenômeno.
"O rompimento da barragem trouxe uma água com muitos sedimentos. Então, ele trouxe isso para um rio que estava lento e é largo, então favoreceu que acontecesse mais rapidamente a formação de bancos de areia", esclarece Raphael.
As mudanças na paisagem chamam a atenção de moradores antigos da cidade. O servidor público Isael Jorge Sousa conta que o cenário é bem diferente daquele que conheceu na infância, na década de 1950. "Esse rio já foi muito exuberante", lembra. "Nos meus tempos de criança, por mais raso e seco que estivesse, nós nunca tínhamos visto aquelas pedras", relata ao olhar para o rio.
Para o especialista, a solução para o problema vai além do uso de dragas para retirar areia do rio. "A recuperação das matas ciliares e a melhoria da ocupação lateral do rio vão favorecer para que não ocorra um aumento acelerado dos bancos de areia", ressalta.