Publicado em 26 de abril de 2021 às 14:34
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (26) que não se preocupa com a CPI da Covid, disse que não liga para uma possível candidatura do ex-presidente Lula (PT) em 2022 e voltou a fustigar governadores que adotaram medidas restritivas para frear a pandemia do coronavírus. >
Em rápida entrevista à imprensa após a inauguração da duplicação de um trecho de rodovia no interior da Bahia, o presidente foi sucinto ao comentar a CPI da Covid, que será instalada no Senado nesta terça-feira (27) em um cenário no qual os integrantes governistas serão minoria.>
"Não estou preocupado porque não devemos nada", afirmou o presidente sobre a CPI, que irá investigar ações e omissões do governo federal, além de repasses para os estados, durante a pandemia.>
Em Conceição do Jacuípe (102 km de Salvador), Bolsonaro voltou a criticar governadores e, mais uma vez, ameaçou usar os militares para impedir a adoção de medidas restritivas. Disse que o papel das Forças Armadas é garantir o cumprimento da Constituição.>
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"[Os governadores] estão seguindo o artigo quinto da Constituição? Está sendo respeitado o direito de ir e vir, o direito de a pessoa ter um emprego, ocupar o tempo para exercitar a sua fé? É só ver se isso está sendo respeitado ou não", disse o presidente.>
Bolsonaro também voltou a criticar o STF (Supremo Tribunal Federal) por ter autorizado estados e municípios decertarem suas próprias medidas de restrição na pandemia sem precisar do aval do governo federal. "É inconcebível os direitos que alguns prefeitos e governadores tiveram por parte do STF. É inconcebível. Nem estado de sítio tem isso".>
Questionado se usaria as Forças Armadas para impedir governadores de adotar medidas restritivas, afirmou em tom de ameaça: "Não estiquem a corda mais do que está esticada".>
Em discurso durante a inauguração, também mirou os governadores e disse que está chegando a hora de o povo dar o seu novo grito de independência. "Não podemos admitir alguns pseudogovernadores quererem impor uma ditadura no meio de vocês, usando do vírus para subjugá-los", disse.>
Ao falar sobre as eleições do próximo ano, o presidente disse que não está preocupado com 2022 nem com uma possível candidatura do ex-presidente Lula ao Planalto.>
"Eu não estou preocupado com Lula. Minha preocupação é com o Brasil. Se a pessoa votar em pessoa com o passado de Lula, essa é uma pessoa que não entende nada de política e nem da liberdade dele. Veja os outros países da América Latina onde a turma do Foro de São Paulo voltou", disse.>
O presidente ainda agrediu verbalmente uma repórter, que o questionou sobre o fato de ele ter posado para uma foto em Manaus com uma placa escrito "CPF cancelado", que faz referência a pessoas que foram mortas.>
"Não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota", disse o presidente à jornalista. Após o encerramento do ato, que aconteceu nas margens da BR-101, o presidente visitou o Batalhão do Exército em Feira de Santana, cidade vizinha.>
As críticas aos governadores acontecem no momento em que o governo federal se vê acossado pela CPI da Covid, que será instalada nesta terça com a escolha do presidente, vice-presidente e relator da comissão.>
Conforme revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, senadores que compõem a comissão afirmam que os recentes atos de Bolsonaro, saindo em defesa do ex-ministro Eduardo Pazuello e de métodos que serão investigados, representam uma tentativa de mobilizar a base bolsonarista para compensar a vulnerabilidade do presidente no colegiado.>
Para alguns parlamentares, o governo monta duas frentes de atuação: enquanto o presidente acirra sua retórica, o Palácio do Planalto tenta se municiar de informações para contra-atacar em focos de apuração da comissão.>
O governo conta com apenas 4 dos 11 membros titulares. A situação de desvantagem se reflete na perda dos principais cargos: a presidência da comissão deve ser ocupada pelo independente Omar Aziz (PSD-AM) e a relatoria deve ser destinada a Renan Calheiros (MDB-AL).>
O presidente chegou ao evento em Conceição do Jacuípe acompanhado de oito deputados federais da bancada baiana, além do ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos).>
Bolsonaro inaugurou um trecho de 22 km da duplicação da BR-101 no estado, obra tocada pelo ministério da Infraestrutura. A duplicação da rodovia, que avançou na maioria dos estados do Nordeste, ainda patina em território baiano. Com a nova etapa inaugurada, o estado passa a ter duplicados 58 km dos cerca de 1.200 km da rodovia no estado.>
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