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Bolsonaro avalia indicar ‘braço direito’ de Ramagem para comando da PF

STF impediu nomeação do presidente, que ainda tenta reverter decisão do ministro Alexandre de Moraes

Publicado em 02/05/2020 às 17h31
Atualizado em 02/05/2020 às 17h35
Presidente da República, Jair Bolsonaro
Presidente da República, Jair Bolsonaro. Crédito: Alan Santos/PR

Enquanto tenta reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu que Alexandre Ramagem assumisse o comando da Polícia Federalo presidente Jair Bolsonaro avalia indicar o delegado Rolando Alexandre de Souza para chefiar a instituição. Atual secretário de Planejamento e Gestão da Agência Brasileira de Investigação (ABIN), Rolando é próximo de Ramagem, diretor-geral do órgão, de quem é considerado “braço direito”. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

A possível nomeação de Rolando é vista como uma alternativa do presidente para manter a influência de Ramagem, que é próximo à família Bolsonaro, na Polícia Federal. Segundo pessoas próximas ao presidente, o diretor-geral da Abin tem participado diretamente das decisões sobre o futuro do comando da PF, uma atribuição do ministro da Justiça, André Luiz Mendonça.

Segundo o Estado apurou, a nomeação de Rolando pode ser efetivada em poucos dias. Há uma preocupação com o avanço do inquérito das “Fake News”, que poderia atingir seus filhos e até mesmo servidores que atuam no chamado “gabinete do ódio”. A investigação já identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais, conforme revelou o Estado.

Há ainda outro inquérito aberto por determinação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, para apurar “fatos em tese delituosos” envolvendo a organização de atos antidemocráticos, após Bolsonaro participar de protesto em Brasília convocado nas redes sociais com mensagens contra o STF e o Congresso.

Outra apreensão do presidente é a apuração sobre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) que trata de um esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O caso foi revelado pelo Estado.

Rolando estava na Superintendência da Polícia Federal em Alagoas até setembro do ano passado, quando assumiu a secretaria de Planejamento e Gestão da Abin a convite de Ramagem. Antes de ser vetado no comando da PF, o chefe da agência de inteligência já montava sua equipe na cúpula da instituição e levaria Rolando com ele.

Por sua vez, Ramagem foi segurança de Bolsonaro durante a campanha eleitoral e entrou para o rol de auxiliares de confiança do Planalto com o apoio do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). A sua nomeação para a direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em julho de 2019, é atribuída ao filho do presidente.

Bolsonaro foi alertado que nomear Ramagem para chefiar a PF potencializaria as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que ao se demitir disse que o presidente queria fazer interferência política na Polícia Federal e ter acesso a relatórios de inteligência. Entretanto, insistiu e a nomeação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 27 de abril, junto com a confirmação de Mendonça, ex-Advocacia-Geral da União, para o Ministério da Justiça.

Poucas horas antes da cerimônia de posse no Palácio de Planalto na quarta-feira (29), o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação de Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal. A decisão liminar atendeu a um pedido apresentado pelo PDT após o governo baixar decreto confirmando a indicação.

De acordo com Moraes, as declarações de Moro sobre tentativa de interferências na autonomia da corporação, a divulgação de mensagens trocadas com o ex-ministro e a abertura do inquérito no próprio Supremo para investigar as acusações motivam a necessidade de impedir a posse de Ramagem.

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