A economia do país fechará o ano melhor do que se esperava, mesmo assim, muito aquém do que se desejaria. Não será surpresa, no entanto, se o crescimento do PIB fechar o ano no entorno de 1%, quando o projetado até bem pouco tempo era de 0,84%. Poderíamos ter um desempenho melhor, sem dúvida, não fosse o desastre econômico na Argentina que acabou afetando principalmente a nossa indústria.
Naturalmente que não seria esse o desfecho caso não tivéssemos avançado em reformas, especialmente a trabalhista e da Previdência, e também adotado políticas de redução do déficit fiscal e de redução da taxa básica de juro. O certo é que nosso país nunca vivenciou condições de estabilidade econômica tão favoráveis quanto as que estão presentes hoje. Temos, simultaneamente: câmbio flexível e relativamente comportado, inflação baixa – de país desenvolvido -, juro básico também baixo - como nunca! -, e em queda, e situação fiscal em processo de ajuste, embora lento.
O Plano Real, deflagrado há 25 anos, tem considerável responsabilidade no conjunto dessa obra, sobretudo na estabilidade da moeda, do câmbio - tornado flexível em 1999 - e no equilíbrio fiscal. É bem verdade que no governo de Dilma o país foi submetido a um processo deliberado de afrouxamento no campo fiscal, com a volta de enormes déficits nas contas públicas; no campo monetário, com o retorno da inflação e juros altos. Fatores que acabaram ensejando a maior crise econômica da história, e da qual ainda nos vemos prisioneiros pelas suas nefastas consequências, espelhadas nos 12 milhões de desempregados.
Ora, se a despeito da conjunção de condições tão favoráveis a economia ainda reluta em reagir mais fortemente, o que nos resta supor é de não seriam essas ainda insuficientes. Quais condições, então, teriam que ser acionadas para que, por exemplo, novos investimentos ocorressem e, com eles, empregos em geral, mas principalmente aqueles mais exigentes em qualificações?
Os números mais recentes da economia parecem confirmar a inversão de expectativas, indicativo de reversão de ciclo. Porém, percebe-se uma certa timidez, que mais se assemelha a receio, mais em relação ao futuro do que ao presente. E nesse aspecto ganha peso o que acontece e o que se projeta – de expectativas - no campo da política.