Uma chuva de sementes tomou conta de uma área de Mata Atlântica em Rio Novo do Sul, no Sul do Espírito Santo. Cerca de 2,6 milhões de sementes de palmeira-juçara foram lançadas de helicóptero sobre 80 hectares de floresta no último mês, em uma ação para a recuperação da espécie, ameaçada de extinção.
Para espalhar as sementes, cerca de quatro toneladas do material foram levadas em um helicóptero do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer). Foram necessárias aproximadamente dez decolagens para cobrir a área, que tem mata densa e é de difícil acesso por terra. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rural, Industrial e Meio Ambiente, Gustavo Lourencini, um dos critérios para a escolha do local foi justamente a ausência da palmeira-juçara.
“É uma área densa, de mata virgem, fechada, de aproximadamente 80 hectares que se escolheu devido à inexistência da palmeira e por ser uma área grande”, explicou.
Antes de cada voo, as sementes foram preparadas e colocadas na aeronave. O GPS foi usado para orientar o helicóptero e definir as faixas de lançamento, garantindo que a carga fosse distribuída pela área delimitada.
Na natureza, a dispersão das sementes da juçara ocorre principalmente por meio dos animais que se alimentam dos frutos. A palmeira é importante para o equilíbrio da floresta, já que seus frutos servem de alimento para diferentes espécies e ajudam a manter a cadeia ecológica.
Além da importância ambiental, a juçara movimenta a economia de Rio Novo do Sul. Produtores utilizam os frutos para fabricar produtos como picolés e sorvetes. De acordo com a empresária Driellem Perim Menegardo, mais de 60 pessoas trabalham atualmente com a atividade no município.
“Hoje a gente trabalha com mais de 60 pessoas no ramo da juçara. Não faz renda só para minha família, mas para toda a comunidade de Rio Novo do Sul. Não é à toa que a gente é a capital estadual da palmeira-juçara”, afirma.
A preservação da espécie é uma preocupação também por causa da forma como ela se reproduz. Diferentemente de algumas espécies de palmeiras, a juçara não volta a brotar depois que o caule é cortado para a retirada do palmito.
O produtor de mudas Natalino Marquezini também participa desse trabalho de preservação e destaca a importância da mobilização de diferentes setores. "Se todos fizerem sua parte, semeando, a gente vai conseguir melhorar 100%", afirma.
As sementes utilizadas na operação foram obtidas a partir de matrizes da própria região e doadas por proprietários de três agroindústrias. O produtor de mudas Natalino Marquezini também participa do trabalho de preservação e destaca a importância da mobilização de diferentes setores.
Se todos fizerem sua parte, semeando, a gente vai conseguir melhorar 100%
Natalino Marquezini | Produtor de mudas
A expectativa é que as sementes lançadas sobre a floresta deem origem a novas palmeiras e contribuam para ampliar a presença da juçara na Mata Atlântica do município.
(Com informações de Gustavo Ribeiro, da TV Gazeta Sul )