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Noiva do momento

As rotas de Pazolini nas eleições municipais deste ano

Sem partido e com convite de vários, deputado pode ser candidato a prefeito de Vitória, da Serra ou, simplesmente, deixar para disputar novo mandato somente em 2022

Publicado em 22 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 fev 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Pazolini na encruzilhada eleitoral: pode escolher entre três vias Crédito: Amarildo
Sem partido desde o início do ano passado, quando estreou na vida pública, como deputado estadual, o delegado licenciado Lorenzo Pazolini é uma das “contratações” mais cobiçadas por dirigentes partidários neste momento crucial de definições de filiações e pré-candidaturas. Em 4 de abril, fecha-se a porta para a filiação de quem quiser ser candidato a prefeito ou a vereador nas eleições municipais de outubro. Assim, se Pazolini quiser se candidatar a prefeito – ou pelo menos manter viva tal possibilidade –, precisa estar filiado a alguma sigla até essa data limite. No mesmo prazo, precisa estar registrado no domicílio eleitoral pelo qual disputará as eleições.
Misterioso, Pazolini não dá pistas sobre seu destino, enquanto todos se põem a perguntar: o que fará o deputado? Será ou não será candidato? Se for, em qual cidade o será?
Aliados de Pazolini apostam: se o deputado federal Amaro Neto (Republicanos) for candidato a prefeito de Vitória, o delegado não entrará nesse páreo. Amaro pretende anunciar sua decisão até 7 de março. Muito dificilmente os dois disputarão o mesmo cargo, porque dividiriam o mesmo espaço e, em primeira análise, um eleitorado com perfil parecido. Assim, se Amaro se lançar na Capital, pode empurrar Pazolini para pleitear a Prefeitura da Serra. No município governado por Audifax Barcelos, o deputado tem convite do prefeito para se filiar à Rede e disputar o Executivo como o candidato apoiado por Audifax.
A questão é que a Rede está no campo de centro-esquerda, enquanto Pazolini se identifica mais como um político de centro-direita. Uma alternativa para ele, que também está sobre sua mesa, é a filiação a um partido inserido nesse campo ideológico, mas que também esteja sob o arco de influência de Audifax, hoje, na Serra.
Por um lado, a ida de Pazolini para um partido da base de Audifax e para a arena serrana resolveria uma dificuldade sua. Bem votado em 2018 e muito atuante na Assembleia, Pazolini ainda carece de estrutura partidária e de um próprio núcleo forte de apoio político. Ainda atua como um “lobo solitário”. Em 2018, foi eleito deputado pelo nanico PRP, partido que não superou a cláusula de barreira e que, no ano seguinte, incorporou-se ao também pequeno Patriota (para se ter uma ideia, se você buscar só “PRP” no Google, o primeiro resultado será “Plasma Rico em Plaquetas”). Seu primeiro grande aliado, o ex-senador Magno Malta (PL), perdeu força política em 2018 e saiu de cena temporariamente. Sendo o candidato de Audifax, Pazolini resolveria essa carência, pois teria a máquina municipal atuando em seu favor na campanha.
Por outro lado, há alguns fatores que podem pesar contra a ida do deputado para a disputa na Serra. Em primeiro lugar, ele tem grande proximidade política com o também deputado estadual Vandinho Leite (PSDB), provável candidato a prefeito no mesmo município. Além disso, Pazolini é nascido e criado em Vitória. Dar um salto eleitoral para a Serra sem “pertencer” ao município poderia dar um argumento forte para adversários em uma cidade cujo eleitorado é considerado bastante “bairrista”.
E se Amaro não for candidato a prefeito de Vitória? Nesse caso, realmente abre-se um campo para Pazolini ingressar nessa batalha. Mas aí surge a pergunta seguinte: ingressar por qual partido? Possivelmente, pelo próprio Republicanos de Amaro. O PSL o havia convidado, mas isso foi na "era Manato". Hoje é uma incógnita. No PSDB, dificilmente uma candidatura dele prosperará, pois o partido já tem duas candidaturas prioritárias na Grande Vitória: a de Vandinho na Serra e a de Max Filho em Vila Velha. Com mais um candidato próprio a prefeito na metrópole, o partido dificultaria alianças nessas duas primeiras cidades.
Outra hipótese é a de Pazolini não ser candidato a nada este ano. Nesse caso, pode pleitear a reeleição em 2022 na Assembleia ou tentar uma vaga na Câmara Federal, subindo um degrau na escadaria política. Tem convite do PSDB para isso.

GRACIMERI NO PARTIDO SOCIAL CRISTÃO

Por falar em eleição à Prefeitura da Serra, a delegada Gracimeri Gaviorno decidiu se filiar ao PSC para ser candidata a prefeita do município. O ato de filiação ocorrerá no dia 4 de março. Gracimeri foi chefe da Polícia Civil durante o último governo de Paulo Hartung (sem partido). Atualmente, participa do curso do movimento RenovaBR para a formação de candidatos nas eleições deste ano.

MDB LANÇA CANDIDATO EM CARIACICA

Enquanto isso, o MDB decidiu ter candidato próprio à Prefeitura de Cariacica. É o Pastor Ivan Bastos, confirmado pelo presidente estadual do partido, Lelo Coimbra.

Cena Política: "com o relator" ou "com o relatório"?

Vice-presidente da Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa, o deputado Vandinho Leite (PSDB), oposição ao governo Casagrande, colhia os votos dos colegas de colegiado no plenário. Na vez do Coronel Quintino (PSL), base do governo, o deputado acompanhou o parecer de Vandinho, mas disse assim:  “Com o relatório” . Vandinho não deixou passar em branco: "Vossa Excelência nunca vota comigo, né? Podia ter falado 'com o relator'...". E la nave va!

Até quando concordam, discordam...

Vitor Vogas

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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