Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Fabrício Gandini avisa: "Terei o meu protagonismo em Vitória"

A um ano da eleição, único candidato certíssimo a prefeito da Capital precisa lidar com um desafio: defender a continuidade da gestão de Luciano Rezende (seu principal apoiador), ao mesmo tempo em que procura convencer o eleitor de que possui um estilo próprio

Publicado em 05/10/2019 às 06h01
Gandini é aposta declarada de Luciano para sua sucessão em 2020. Crédito: Amarildo
Gandini é aposta declarada de Luciano para sua sucessão em 2020. Crédito: Amarildo

A exatamente 365 dias das próximas eleições municipais, a corrida a prefeito de Vitória em 2020 está cercada de incertezas, inclusive quanto à formação do grid de largada. Até quando perguntamos diretamente para esses atores, vemos que Majeski (PSB) pode ser candidato ao cargo, ou não. Manato (PSL) pode ser candidato ao cargo, ou não. Amaro Neto (Republicanos) idem. Pazolini (sem partido) idem.

Em meio a tantas dúvidas, uma certeza desponta: a candidatura do deputado estadual Fabrício Gandini, com apoio total do prefeito Luciano Rezende (ambos do Cidadania). O nome de Gandini como candidato a prefeito de Vitória já consta até no site oficial do partido.

Nos próximos meses, o desafio maior de Gandini será estabelecer uma marca própria, que ele garante possuir, ao mesmo tempo em que defende a continuidade da gestão do seu mentor político. “Respeito muito o Luciano, mas terei o meu protagonismo”, assegura o deputado.

Em entrevista à coluna, o discípulo ressalta diferenças entre ele e o mestre. “Quem nos conhece sabe que somos pessoas muito diferentes. Luciano é um grande líder. O meu foco é mais voltado para gestão.” E garante: “Só não serei candidato se Deus não quiser”.

Confira a entrevista completa com o candidato mais certo na corrida a prefeito da Capital:

Há alguns meses, o senhor é o único que afirma categoricamente: “Sou candidato a prefeito”. Há alguma hipótese de o senhor não entrar nesse páreo, ou a candidatura é mesmo certa e irreversível?

Nós discutimos bastante essa candidatura. Acreditamos que não podemos parar o projeto que está colocado para a cidade. É natural que o partido que está no governo, executando um trabalho, defenda o trabalho e também garanta um legado futuro para a cidade. Nós iniciamos muita coisa, apesar de o Luciano ter passado pela pior crise econômica que a cidade já teve, principalmente com o fim do Fundap [em 2012, ano da primeira eleição de Luciano], sem transição. Foi uma decisão que teve compra de votos e altamente danosa para Vitória. E a gente conseguiu recuperar. Luciano equilibrou as contas públicas, conseguiu importantes financiamentos agora, em parceria com entidades altamente credenciadas [Finisa e BID]. Então chegou a hora de dar um passo a mais. Não parar todo esse planejamento que foi feito, inclusive conseguir fazer uma transição importante no modelo econômico da cidade.

Então é irreversível de fato? Não há a menor possibilidade de o senhor não ser candidato à sucessão de Luciano?

Só se Deus chegar e falar que não quer. E eu sou um cara muito ligado a Deus. Acredito muito nisso.

Então só a voz divina pode tirá-lo desse páreo?

Se não for a vontade dEle, eu não serei candidato.

Se depender da vontade dos homens e do senhor mesmo…

É, hoje estamos bem encaminhados nesse propósito.

Toda essa antecipação não pode prejudicá-lo, na medida em que o senhor passa a ser alvo de críticas por parte de adversários, inclusive alguns que ainda não se expõem ao público? Queimar o tiro de largada não pode ser um tiro no pé?

Vejo como o contrário. A partir desse anúncio, estou conseguindo dialogar com muitas pessoas que querem construir a história da cidade. Esse anúncio foi importante porque, quando me coloco como pré-candidato – e a legislação hoje permite isso –, eu começo a dialogar com toda a cidade. E é o que eu estou fazendo. Estou aproveitando este momento em que as pessoas sabem desse interesse para dialogar com as pessoas e para entender o que pode ser melhorado. Então vejo uma vantagem, na realidade, em ter me lançado. Não tenho nada a esconder de ninguém. As críticas que vierem, estou pronto para encará-las.

Sua trajetória sempre se deu, de certo modo, à sombra de Luciano, ou seguindo os passos do atual prefeito…

Sim.

O mote da sua campanha será de continuidade à gestão de Luciano?

Tenho convicção de que hoje as pessoas escolheram Luciano para administrar a cidade. Faço parte de um grupo político e tenho muita disciplina quando tratamos dessas questões. Ele hoje é o capitão do jogo na cidade de Vitória. Eu pretendo fazer uma sucessão apontando tudo que é bom e não pode parar, e acredito que é a grande maioria, que o Luciano fez uma boa gestão, mas também imprimindo uma marca própria. Nem sempre Luciano e eu convergimos.

Que marca própria será essa?

Nós estamos construindo. Eu não vou antecipar aqui a campanha eleitoral, porque essa talvez seja a chave da questão. Mas estou dialogando muito com as pessoas para a que possamos construir um plano para a cidade que seja um passo além. Luciano viveu um período de grandes restrições e teve que se reinventar. O próximo prefeito terá que se comprometer a não parar questões importantes que foram pactuadas com a cidade.

Por exemplo?

A orla noroeste, esse financiamento do BID. Imagine se entra um prefeito que decida rever todo esse investimento que está sendo pactuado com a cidade há cinco anos. Outra questão importante: estamos vivendo o melhor momento com o governo Casagrande. Temos no mínimo mais dois anos que o próximo prefeito vai ter com Casagrande no governo [2021-2022]. Então a gente não pode perder essa boa relação. Tem algumas coisas em que pretendo dar continuidade mesmo. Mas quero ter uma proposta além disso.

Em termos de estilo político e administrativo, quais são as principais diferenças entre o senhor e Luciano?

As pessoas são diferentes. Temos características diferentes. A gente nem sempre concorda. Mas ele hoje é o líder. Respeito muito o Luciano e admiro muito as qualidades dele. Procuro aprender com quem eu trabalho. Fui presidente da Câmara no período do Luciano. Tive oportunidade de construir o seu plano estratégico. O prefeito é um grande líder, lidera as pessoas. Eu tenho o foco mais voltado para gestão e acho que completei um pouco do Luciano nisso.

O eleitor não pode entender que o que o Cidadania está vendendo para ele é um 3º mandato de Luciano?

Acho que quem me conhece e quem conhece o Luciano sabe que somos pessoas muito diferentes, mas ao mesmo tempo nos respeitamos muito. E temos todo interesse de ter planos para a cidade. Será um terceiro mandato talvez do Cidadania. O Luciano tem um modelo e uma forma de fazer gestão. E eu com certeza tenho a minha forma. As pessoas mais próximas que nos conhecem sabem das nossas diferenças.

E o eleitor também as conhecerá no tempo certo, durante a campanha?

Também. Na realidade, eu já estou fazendo uma incursão muito grande com as pessoas, conversando sobre o que elas pensam para a cidade de Vitória, até porque a gente está vivendo uma transição econômica gigantesca. Com o fim do Fundap, a gente precisa se reinventar como cidade. E a gente precisa achar quais são as conexões que vão nos dar essa nova cidade de Vitória. Não é qualquer gestor que administra Vitória não. Antigamente falavam assim: tem muito dinheiro, é fácil. Hoje, se errar, corre o risco de colapsar a cidade.

Até que ponto o senhor pretende casar a sua campanha na imagem de Luciano e na gestão dele, da qual o senhor foi parte? Até que ponto vai se dissociar, se é que dá para dissociar?

Não pretendo em nenhum momento me dissociar da imagem do Luciano. Eu o respeito como líder, mas terei o meu protagonismo. A gente teve os nossos mandatos em momentos diferentes. Eu fui vereador [de 2009 a 2018], tive uma eleição muito forte na cidade também, fui duas vezes o mais votado [para a Câmara Municipal, em 2012 e 2016]. Então eu tenho o meu estilo de fazer política e o meu protagonismo. Mas em nenhum momento pretendo me dissociar não, pelo contrário: tenho muito orgulho do que construímos em conjunto.

O senhor enfatizou a excelente relação da administração de Vitória com o atual governo, de Renato Casagrande, que perdurará até 2022. Isso passa, é claro, pela boa relação do Cidadania com o PSB, por causa da aliança histórica entre os dois partidos, que passa diretamente por Vitória. Essa aliança corre algum risco no ano que vem ou será replicada?

Tenho certeza de que a aliança com o governador Renato Casagrande em nenhum momento está arriscada. Inclusive eu tenho feito uma discussão muito forte com o governador em relação às questões do governo do Estado. Temos dialogado bastante e tenho firmado posição acreditando no governo dele. Ele já nos deu total conforto em relação ao próximo ano. Nós vamos estar juntos. E a gente respeita essa discussão que está sendo feita pelo partido dele, o PSB.

Pois é. E se o PSB, por exemplo, por decisão da direção nacional ou estadual, decidir lançar um candidato próprio, como Sergio Majeski?

Eu acho que esse período que estamos vivendo ainda está distante do período eleitoral. As coisas ainda vão se afunilar. É natural que os partidos lancem seus candidatos, até para testá-los, sentir se há viabilidade. Mas eu acredito muito numa composição no futuro.

O senhor ainda quer ter Nathan Medeiros (PSB) como vice em sua chapa?

Vice não se discute antes. A gente tem aí perfis que são perfis positivos, que agregariam dependendo da disputa. Naturalmente que um vice do PSB seria replicar uma aliança que já deu certo em várias disputas.

O Cidadania e o senhor pessoalmente vão trabalhar para isso?

A gente pretende que o grupo, que hoje tem a liderança de Renato Casagrande no governo do Estado, a gente pretende que a gente esteja junto. Vamos trabalhar para estar juntos.

Pensando em áreas temáticas, quais serão as suas principais bandeiras?

A gente sabe que a cidade precisa reinventar a sua matriz econômica. Achar um ponto de equilíbrio para que a gente possa recuperar o que a gente perdeu em relação ao Fundap. Tenho certeza que a gente precisa investir muito em inovação e tecnologia. Temos certeza de que esse é o caminho para a cidade de Vitória. Não é a indústria. A indústria já está no seu limite, até por limitação territorial. E Vitória tem uma grande vocação para o turismo, inclusive de negócios. Em algumas áreas Vitória já é referência, como em saúde e em educação. As principais áreas em que Vitória precisa dar um salto muito grande são ciência, tecnologia e inovação, e também na questão do turismo.

O prefeito Luciano tem falado em eventos públicos sobre “ameaças à cidade de Vitória”. No seu entendimento, quem são essas “ameaças”? A quem o prefeito se refere? E o senhor concorda com isso?

Acho que a população de Vitória sabe escolher. Ela sabe escolher. Então a gente precisa que a eleição seja algo que dê clareza a respeito de quem são os candidatos. Quando perdemos um recurso tão grande como foi o Fundap, não podemos correr mais o risco de ter um gestor que não seja responsável financeiramente, que não tenha conhecimento da cidade. Também é preciso viver a cidade, estar na cidade. Então acho que, quando o Luciano coloca isso, são ameaças do ponto de vista de surgirem pessoas com perfis que não são apropriados para a cidade de Vitória. Mas não consigo creditar a ninguém qual é a ameaça que ele está falando exatamente.

eleições luciano rezende prefeitura de vila velha Fabrício Gandini

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.