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Álvaro Moura

Artigo de Opinião

É publicitário, diretor da Premium e foi diretor da Rede Globo e da Rede Gazeta
Álvaro Moura

Por que Rembrandt virou um popstar no Brasil 400 anos depois?

Quando vejo Rembrandt prorrogado pela terceira vez e chegando perto de 300 mil visitantes, penso nas pessoas que decidiram ir
Álvaro Moura
É publicitário, diretor da Premium e foi diretor da Rede Globo e da Rede Gazeta

Publicado em 25 de Outubro de 2026 às 10:00

Publicado em 

25 out 2026 às 10:00
A exposição de Rembrandt foi prorrogada em Belo Horizonte. Depois, em Vitória. Depois, em São Paulo. Quatro cidades e quase 300 mil visitantes para ver gravuras produzidas por um artista do século XVII.

Rembrandt é Rembrandt. A força da obra vem primeiro. Mas há muita arte extraordinária que as pessoas nunca chegam a conhecer. Entre uma grande exposição existir e alguém decidir sair de casa para visitá-la, há um trabalho enorme.

Quem vai a uma exposição escolhe o que fazer com seu tempo. Poderia ir ao cinema, ficar em casa, fazer qualquer outra coisa. Precisa saber que ela existe, sentir que vale a pena e ter acesso.

É aí que começa o trabalho.

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Costumo dizer que nossos projetos têm três coisas no DNA: relevância, inclusão e marketing. A relevância está na obra. Inclusão é entrada gratuita, mas também braille, Libras, peças táteis e recursos que permitam a mais pessoas viver a experiência. E o marketing cria as condições para esse encontro acontecer.

As obras foram as mesmas nas quatro cidades. A conversa, não.

No Rio, anunciamos a chegada de um gênio à Cidade Maravilhosa. Em Belo Horizonte, entramos no calendário do Natal e das férias. Em Vitória, a notícia era a volta de uma grande exposição internacional à cidade. Em São Paulo, com uma oferta cultural imensa, era preciso disputar atenção todos os dias.

O digital também recomeça a cada cidade. O prestígio de Rembrandt viaja. A audiência local, não.

É o que chamamos de desenvolvimento de audiência: entender com quem queremos falar e criar diferentes portas de entrada. Alguém chega por Rembrandt. Outro pelas férias. Outro pela possibilidade de levar gratuitamente a família.


Exposição de Rembrandt chega ao ES com obras originais e entrada gratuita
Exposição de Rembrandt no ES com obras originais e entrada gratuita Rodrigo Gavini

Curtidas e seguidores importam, mas não contam a história inteira. O que interessa é quando as pessoas procuram informações, compartilham, recomendam e, finalmente, decidem ir. O digital começa a formar público antes mesmo da entrada na exposição.

A imprensa tem papel igualmente decisivo. Uma exposição aberta durante meses não sobrevive de uma única pauta. A inauguração é notícia. Depois é preciso encontrar outra história, outro ângulo, outra razão para voltar ao jornal ou à televisão.

Foi assim que Rembrandt ganhou espaço várias vezes em veículos como Folha, Estadão e TV Globo. A visibilidade foi construída pauta por pauta.

Enquanto isso, existe uma operação que o público não vê. Obras viajam, espaços são preparados, equipes montam, recebem, desmontam e começam novamente. Cada cidade impõe novos desafios de expografia, logística, comunicação e relacionamento. Uma itinerância de mais de um ano só existe porque muita gente trabalha de forma coordenada.

E existe outro ponto sobre o qual o setor cultural ainda fala pouco: patrocinador precisa ter resultado.

Resultado não é apenas colocar uma logomarca na parede. Na exposição de Rembrandt criamos a Sala Biancogres, incorporando os produtos da empresa à experiência e permitindo que ela recebesse ali seus clientes. Em Picasso, no Palácio Anchieta, criamos a Sala Sesc, conectando os 80 anos da instituição à exposição.

É dar conteúdo à presença das marcas.

É assim que entendo marketing cultural: entregar valor a quem patrocina para continuar entregando acesso a quem visita. É essa relação que permite trazer grandes obras ao Brasil, oferecer gratuidade, investir em acessibilidade e formar novos públicos.

Quando vejo Rembrandt prorrogado pela terceira vez e chegando perto de 300 mil visitantes, penso nas pessoas que decidiram ir.

Um artista de 400 anos atrás não vira popstar sozinho.

A arte nos dá o motivo. Cabe a nós construir o encontro.

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