No domingo (5), no mesmo estádio de Nova Jersey onde tudo começou em 2010, Neymar Jr. vestiu a camisa da Seleção Brasileira pela última vez. Dezesseis anos depois daquela estreia, quando era só um garoto de 18 anos marcando de cabeça contra os Estados Unidos, ele voltou ao mesmo lugar para encerrar essa história. E encerrou do jeito que sempre viveu dentro de campo. Lutando até o último minuto, mesmo já sem a explosão de outros tempos e ainda assim balançando as redes.
São 130 jogos com a camisa amarelinha. São 80 gols, que o transformaram no maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. São 59 assistências, que fazem dele também o maior garçom que essa camisa já teve. Mas hoje, mais do que nunca, o que fica não são os números. É tudo o que ele precisou atravessar para chegar até eles.
Porque a carreira de Neymar nunca foi fácil. Foi marcada por cirurgias, por lesões que assustaram, por momentos em que parecia que o corpo tinha dito basta. Fratura na coluna, problemas no tornozelo, ruptura grave no joelho… um momento em que muita gente já duvidava se ele voltaria a jogar em alto nível outra vez.
E ele voltou. Voltou para o Santos, voltou a treinar, sofrer, a se recuperar, a acreditar de novo. Voltou para mais uma Copa do Mundo mesmo sabendo que o corpo já não era o mesmo, mesmo sabendo que provavelmente seria criticado, mesmo sabendo que talvez não desse tempo de conquistar o título mundial. Isso diz mais sobre ele do que qualquer gol.
O último jogo não terminou como um conto de fadas. O Brasil caiu diante da Noruega, nas oitavas de final e ele viveu ali, em poucos minutos, tudo o que é ser Neymar. Entrou no segundo tempo, converteu um pênalti que fechou sua contagem em 80 gols, discutiu, tomou cartão, chorou, orou.
E se despediu, no mesmo campo onde um dia começou, sem o título, mas com algo que ninguém pode tirar dele: a certeza de que nunca desistiu, mesmo quando o corpo implorou para parar.
E, embora a Copa do Mundo não tenha vindo, Neymar deixou um legado que ultrapassa qualquer taça. Para uma geração inteira de crianças e também para muitos adultos, ele representou um futebol alegre, irreverente, criativo e imprevisível.
O futebol do drible, da ousadia, da alegria. Aquele que faz as pessoas se apaixonarem pelo esporte antes mesmo de entenderem suas regras.
Seu impacto sempre foi muito maior do que qualquer estatística. Neymar nunca precisou ser o novo Pelé, nem o sucessor de ninguém. Foi, o tempo todo, a sua própria história.
Eu tive o privilégio de ver esse monstro jogar. E é por isso que precisava escrever esse texto.
Obrigada, Neymar Jr. Pelos gols, pelas assistências, pelos recordes. Mas, acima de tudo, obrigada por mostrar o que é se levantar de novo e de novo por um sonho e por ter feito tanta gente se apaixonar pelo futebol e pela Seleção Brasileira através de você.