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Felipe Fernandes

Artigo de Opinião

Pandemia

O verdadeiro dilema moral na quarentena

O “governante quarentena”, no afã de potencializar sua própria verdade ou seu obscuro interesse, criou uma inverdade travestida de dicotomia que leva pessoas a crerem que tudo está entre a vida e a economia
Felipe Fernandes

Publicado em 07 de Setembro de 2020 às 11:00

Publicado em 

07 set 2020 às 11:00
Mulher com máscara para se proteger do coronavírus em casa; lockdown, isolamento, confinamento
Mulher com máscara para se proteger do coronavírus em casa Crédito: Freepik
Tenho certeza de que a absoluta maioria dos governantes ao redor do mundo (os quais chamarei ao longo do artigo de “governantes quarentena”) não analisou com profundidade cada ação tomada no curso deste isolamento. Não houve ou não se quis ter uma análise racional sobre o que está sendo feito nos governos, isto é, intervenção implantada.
O “governante quarentena”, no afã de potencializar sua própria verdade ou seu obscuro interesse, criou uma inverdade travestida de dicotomia que leva pessoas a crerem que tudo está entre a vida e a economia ou, mais especificamente, entre a sua própria sobrevivência ou seu emprego. 
Cria-se por eles um dilema moral na cabeça da maior parte da sociedade: “Viver é melhor que trabalhar?”. De bate-pronto, sim. Entretanto, o real dilema não é esse, precisamos ir além da pergunta simples para adentrar no que de fato esse questionamento representa. 
O psicólogo Joshua Greene da Universidade de Harvard criou, em 2004, um teste de dilema moral para um grupo de pessoas chamado, em tradução livre, "o problema do trem". O teste consistia em saber se a pessoa do grupo empurraria um estranho inocente na frente de um trem em alta velocidade para salvar outros cinco estranhos de serem mortos.
A maioria dos entrevistados disse que isso seria moralmente errado e que não o fariam. No entanto, um punhado de sujeitos disse que acabaria com a vida do estranho inocente para resgatar os outros, e Greene descobriu que esse grupo tinha uma qualidade chamada de “o coração modo racional”.
Quem produz? Quem vende ou compra? Quem recebe salário/pró-labore? São pessoas. Para viver, precisam produzir, vender, comprar e receber. Sim, isso significa economia de mercado e, sim, também significa viver. 
De tal modo que os “governantes quarentena” apossaram-se das nossas liberdades e responsabilidades individuais por mais tempo que o normal, com o “coração  em modo automático” (para tentar suavizar o que estamos assistindo de maneira reiterada). 
Já diria Mises, em sua obra “As seis lições”, o governo deve existir e deve nos prover segurança, ainda que de um inimigo invisível, mas não podemos nos proteger além do efetivo problema. 
Nessa perspectiva, poderíamos ter protocolos bem estabelecidos de prevenção e segurança oriundos de estudos científicos, o que nos preservaria a liberdade para trabalhar, estudar, ir e vir. Além disso, deveríamos ter leis que punissem aqueles que descumprissem as regras contrárias aos protocolos. Assim, a sociedade sairia ganhando, preservando a vida e a economia. A ordem é “irmã” da liberdade.
Enquanto estivermos pensando com “o coração em modo automático” estaremos aceitando a dicotomia travestida, a intervenção estatal excessiva e as ideias obscuras dos “governantes quarentena”. 
Nós, liberais, só temos uma responsabilidade neste dilema moral: difundir boas ideias e o “coração no modo racional”. Isso nos dará tranquilidade para aceitarmos a intervenção adequada do governo, sem coerção, para preservar nossa liberdade e responsabilidade individual. E ainda nos fará rechaçar todo “governante quarentena” e debater com a parcela da sociedade que compactua com esse tipo de ação. 
Nossa ação deve se pautar sempre de forma contínua e no longo prazo, com confiança no futuro da liberdade, seja na política, na economia, na vida ou em todos esses aspectos entrelaçados. 
O autor é associado I do Instituto Líderes do Amanhã
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