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Fernando Repinaldo

Artigo de Opinião

Redesenho

Em tempos de Covid, colapso do sistema de transporte é sentença proferida

No transporte de massa, o contato humano é maior e as contaminações se alastram rapidamente. Mesmo que a atividade econômica retorne ao normal, o transporte coletivo levará mais tempo para se recuperar
Fernando Repinaldo

Publicado em 13 de Setembro de 2020 às 05:00

Publicado em 

13 set 2020 às 05:00
Ônibus que faz a linha 520 lotado, seguindo para o Terminal de Carapina, na Serra
Ônibus da linha 520 lotado: pessoas usam o transporte público cheio por necessidade e sem outra opção Crédito: Sebastião Lopes
Na nossa Região Metropolitana, os transportes coletivos são pouco eficientes e caros, tanto pelos fartos subsídios aplicados, quanto pela baixa qualidade dos serviços oferecidos, promovendo uma fuga progressiva de passageiros. Apesar da insustentabilidade financeira e operacional do nosso transporte de massa ser anterior à pandemia, até agora nenhuma discussão abrangente sobre a mudança do sistema foi trazida ao debate com a sociedade civil organizada.
Em tempos de Covid-19, o colapso do sistema já é uma sentença proferida. As restrições atingiram impiedosamente nosso debilitado serviço de transporte coletivo e ameaça a mobilidade da população.
No transporte de massa, o contato humano é maior e as contaminações se alastram rapidamente.
Mesmo que a atividade econômica retorne ao normal, o transporte coletivo levará mais tempo para se recuperar, pois ônibus muito cheios serão rejeitados por passageiros que tiverem outra opção de deslocamento.
Concomitantemente, concessionários do transporte público negociam pacotes de salvamento financeiro de forma a permitir a continuidade dos seus serviços em modos tradicionais. Observamos esforços dramáticos na tentativa de sobrevida de algumas empresas, que dificilmente subsistirão ao impacto recebido. A resolução exclusivamente financeira de um sistema que já estava à beira do colapso se torna inviável. Será apenas uma luta quixotesca.
A realidade não sabe esperar, exige mudanças estruturais de todo o sistema de transporte público. Novas licitações sobre os sistema de transporte coletivo obrigatoriamente terão que ser feitas sob novas bases, com dados atualizados de origem e destino, com novos modelos contratuais e metas operacionais claras, pois é inevitável o financiamento público a esses serviços. Além disso, todos os modais em operação deverão ser integrados ao sistema de transporte público de massa. Também é imprescindível a coordenação e regulamentação pelas prefeituras dos transportes alternativos para pequenas distâncias, devidamente integrados, facilitando o acesso dos usuários à rede, além de resolver o “gap” da primeira e última milhas.
Nesta perspectiva, incluem-se as barcas com média capacidade, que terão papel relevante na eliminação de gargalos, pois são seguras, rápidas, sustentáveis e não promovem aglomerações.
Abordamos apenas situações que, entre tantas, requerem um enfrentamento sério, abrangente, transparente e pragmático. Trouxemos algumas propostas alternativas para a reestruturação e sustentabilidade de um sistema que enfrenta problemas históricos de eficiência e qualidade do serviço.
Nossa visão crítica não tem a pretensão de fazer um juízo de valor, mas sim a intenção de provocar as autoridades e os cidadãos a um debate mais contundente que poderá amenizar e, talvez, nos livrar do perigo que correremos em um futuro imediato.
*O autor é especialista em Administração Pública, Gestão de Projetos e Engenharia de Tráfego
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