E chegamos ao 1º de maio, Dia do Trabalho, dia de reflexão, inclusive sendo feriado no Brasil, bem como em diversos outros países do mundo. Em momentos como os que estamos vivendo hoje, ou melhor, desde quando o desemprego disparou em nosso país, essa data nunca se fez tão importante, ainda mais em face da legislação trabalhista e demais regras de trabalho.
Assim, observando eventos recentes, e diante dos elevados números do desemprego e estagnação da economia, é que vieram as promessas mirabolantes.
Em 2017, houve a reforma trabalhista, que feita às pressas apenas reduziu muitos dos direitos e garantias trabalhistas e, consequentemente, diminuiu a renda do trabalhador, sem, contudo, criar os tão esperados empregos, além de reduzir a ascendente informalização do trabalho no Brasil. Prova disso são os alarmantes números de desempregados e trabalhadores informais observados nos anos de 2018 e 2019.
Contudo, por estar consubstanciados na sociedade, cuja roda gira no alicerce do capital, o importante era desonerar, pagar e gastar menos com os trabalhadores e, com isso, vida que segue.
Chegamos em 2020 e, com ele, também chegou o coronavírus, a Covid-19, logo após o carnaval, pandemia que sacudiu e modificou a forma e as relações humanas em todos os seus níveis.
Aí vimos que o capital sem sua força de trabalho não é nada, vimos que os trabalhadores são essenciais, fundamentais, a verdadeira força que faz rodar a economia, movimentar a sociedade e a produção. Mas, com a obrigatoriedade do afastamento social e a obrigação dos trabalhadores ficarem em casa, tudo parou.
Ultrapassada a observação da força que movimenta a sociedade (o trabalhador), nos deparamos com a força que movimenta a economia, a pessoa que compra no bairro, que paga a conta porque precisa do seu nome limpo, que compra a prestações, que geralmente gasta todo o seu salário em efetivo consumo, pessoa essa que não poderia ser outra, senão o trabalhador, o de carteira assinada, aquele que não pode ter sua renda diminuída, porque isso prejudica a economia, porque diminui o consumo, retrai a produção e não possibilita o desenvolvimento social.
E com isso voltamos ao nosso 1º de Maio, à pandemia e à eterna necessidade de refletirmos e ponderarmos acerca de nossos conceitos ou preconceitos em relação à importância e necessidade dos trabalhadores brasileiros.
E viva o 1º de Maio, ao trabalho e ao trabalhador brasileiro, e o desejo que as reflexões de patrões e empregados não sejam realizadas apenas nesta data, mas sim em todos os nossos dias.
*O autor é advogado trabalhista