O aumento do desemprego é, certamente, a maior frustração da sociedade brasileira neste Dia Internacional do Trabalho. Com as projeções de crescimento do PIB seguidamente revisadas para baixo e a confiança dos investidores abalada pelo marasmo no tratamento da crise fiscal (indefinição sobre a reforma da Previdência) o emprego não engatou ritmo de recuperação em 2019. O mercado continua se fechando para os trabalhadores.
Que decepção. O Brasil encerrou o primeiro trimestre com 13,4 milhões de desempregados. A taxa de desocupação é a mais alta desde o Dia do Trabalho em 2018. Avançou rapidamente nos últimos três meses, passando de 12,4% para 12,7% , o que representa a entrada de mais 1,2 milhão de pessoas na população desocupada, segundo o IBGE. Os pibinhos de 1% há dois anos seguidos (2017 e 2018) estão longe de atender toda a demanda da população por vagas de emprego.
Outro dado impressionante é o referente ao mês de março. A economia brasileira cortou 43.196 empregos com carteira assinada, número resultante de mais demissões (1.304.373) do que contratações (1.216.177), de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foi o primeiro resultado mensal negativo em 2019, o pior saldo para meses de março desde 2017, quando 62.624 trabalhadores foram desligados. Esse quadro reflete a apatia da economia em 2019, dando sequência ao ritmo devagar dos últimos dois anos. O crescimento ainda não decolou com Bolsonaro, apesar das reiteradas promessas do governo.
No Espírito Santo, a dinâmica local é melhor do que a nacional. No ano passado, o PIB estadual teve expansão de 2,4%. Já em 2019, o Índice de Atividade Econômica, apurado pelo Banco Central, acumula alta de 3,5%, mais do que o dobro no país, 1,6%. Ainda assim, até início deste ano, 219 mil pessoas estavam desempregadas no território capixaba, conforme pesquisa do IBGE.
Outro fato extremamente preocupante é a existência no Estado de 107 mil jovens (de 15 a 29 anos) que não estudam, não trabalham nem procuram emprego – os chamados “nem-nem-nem”. O que fazem? Que futuro os espera? Isso mexe com a dignidade das pessoas. É um quadro que desafia o poder público a implementar políticas de inclusão mais eficazes do que as já adotadas até agora.
Infelizmente, não se conhece remédio para reverter com rapidez o desemprego na proporção vista hoje. Mas o mínimo que se espera do governo é que ele zele pela sua credibilidade. Assim, o investimento privado irá ampliando a oferta de trabalho, conforme as circunstâncias.