A decisão de uma empresa sobre onde realizar um investimento relevante não se resume a incentivos ou localização. Infraestrutura, logística, energia, mão de obra, fornecedores e segurança jurídica pesam nessa escolha. Há, porém, um elemento menos tangível, que dificilmente aparece nas planilhas: confiança.
Quem investe precisa confiar nas informações que recebe, na confidencialidade das negociações e no ambiente em que pretende desenvolver seu negócio. Em uma disputa cada vez mais intensa por capital e novos projetos, confiança também é um ativo de competitividade.
O Espírito Santo chega a essa disputa amparado por fundamentos consistentes. O estado mantém nota A em capacidade de pagamento desde 2012 e alcançou a classificação A+ do Tesouro Nacional. Na educação, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2025 registrou os melhores resultados da série histórica capixaba nas três etapas avaliadas. A economia, por sua vez, cresceu 3,9% no último ano.
Esses indicadores ajudam a explicar por que o estado reúne condições para disputar investimentos. Mas bons fundamentos, sozinhos, não determinam a escolha de uma empresa.
Entre reconhecer o potencial de um território e decidir investir nele há um percurso complexo. É preciso compreender as particularidades de cada negócio, oferecer informação qualificada, identificar entraves e construir respostas para questões objetivas. Afinal, diante de diferentes alternativas, por que uma empresa deve escolher o Espírito Santo?
Essa pergunta está no centro da atuação da agência de atração de investimentos e ganha significado especial no momento em que a Nova ES completa seu primeiro ano de existência. Até setembro de 2026, a agência atendeu 101 oportunidades, que somam R$ 45,5 bilhões em investimentos mapeados. Desse total, 17 projetos foram confirmados, acumulando R$ 9 bilhões em investimentos no Estado.
Os números são relevantes, mas precisam ser lidos com a perspectiva adequada. Uma carteira de prospecção reúne projetos em diferentes estágios. Alguns avançam, outros mudam de prazo e há aqueles que não prosperam. Decisões empresariais dessa natureza podem levar meses ou anos.
Por isso, atração de investimentos não se mede apenas pelo tamanho de um pipeline. O resultado está na capacidade de qualificar oportunidades e contribuir para que elas se convertam, ao longo do tempo, em projetos concretos.
Nesse processo, confiança tem também uma dimensão pública. Se o investidor precisa encontrar segurança na relação com a agência, a sociedade deve ter clareza sobre sua atuação. Agilidade e especialização precisam coexistir com transparência, integridade e responsabilidade na aplicação dos recursos. Governança e prestação de contas não são contrapontos à eficiência, mas condições para sustentá-la.
Essa responsabilidade pública ganhou, para mim, um significado muito concreto quando deixei uma carreira construída na iniciativa privada para assumir esse desafio. Na ocasião, disse que, depois de uma trajetória dedicada a gerar valor para acionistas, teria a oportunidade de gerar valor para a sociedade. Ouvi então uma resposta que ficou comigo: “Agora você tem 4,1 milhões de acionistas”. Um ano depois, a frase segue sintetizando a dimensão dessa responsabilidade.
O Espírito Santo já construiu fundamentos importantes para competir por novos investimentos. Sua localização estratégica e infraestrutura logística são diferenciais relevantes, mas as vantagens do estado vão além do concreto: passam também pela transparência e pela segurança em um ambiente preparado para receber negócios. O desafio que temos pela frente é fazer com que esses atributos se traduzam cada vez mais em empresas, empregos, renda e oportunidades.