Se para todos a pandemia da Covid-19 é um desafio, para nós, da área médica, podemos dizer que é o maior teste de nossas vidas. De repente, tudo precisou ser revisto. Processos, protocolos, treinamentos, novas condutas, o desafio de salvar pacientes diante de um vírus tão devastador e também o desafio pessoal de cada profissional. Precisamos lidar todos os dias com os nossos próprios medos, medo de um vírus mortal que nos fragiliza e que derrubou muitos guerreiros da linha de frente.
Uma doença que assustou o mundo e que dia a dia abria os noticiários com uma nova e triste contagem sobre o número de mortos. Não vencemos o vírus ainda. O caminho até a comprovação da eficácia de uma vacina parece longo para todos que anseiam voltar a uma nova normalidade. Também não é tempo de descuidar nem de abandonar o autocuidado. Mas no hospital onde trabalhamos cada vida preservada era motivo de vitória pessoal para nossos bravos profissionais.
Nesses últimos quatro meses de pandemia, contamos cada uma dessas vidas salvas, vibramos silenciosamente por cada uma delas. Cada cura, para nós, representa um renascimento. Por isso, decidimos marcar recentemente as 500 vidas curadas que passaram pelo Hospital Unimed Vitória. Claro que cada perda que tivemos doeu. Cada vida perdida nessa batalha contra o maior adversário de nossas vidas é um golpe.
Marcamos com simbolismo, soltando balões brancos, as 500 vidas salvas e as histórias que puderam continuar a partir do tratamento por nós oferecido. Reunimos nossos profissionais da saúde na porta do hospital para agradecer pelo empenho de cada um. E também para agradecer por cada vida preservada. A média de mortalidade de pacientes internados na UTI do nosso hospital foi menor que a média nacional dos hospitais privados do país, segundo dados da Epimed Solutions. De acordo com esse mesmo estudo, a média de permanência de pacientes em UTI que tivemos também foi menor que a média nacional.
A pandemia também nos trouxe reflexões. E todos percebemos, mais do que nunca, que celebrar a vida não é banal. É uma forma de reconhecer tudo que foi feito e de alimentar a certeza de que tudo vai passar.
*Os autores são diretores da Unimed Vitória