No que pese a grande difusão de fake news dando conta de que haveria remédios ou “tratamentos milagrosos” capazes de combater o coronavírus, a verdade é que ainda não existe a cura tão esperada. A politicagem em torno da cloroquina, como forma de desviar o foco dos reais problemas, une políticos como Bolsonaro, Nicolás Maduro e Donald Trump.
O presidente dos EUA chegou cogitar a eficácia da injeção de desinfetante contra o coronavírus, bem como sugeriu o uso de luz ultravioleta para atenuar a ação do vírus dentro do corpo humano (o que é veementemente rechaçado pelas autoridades sanitárias). Maduro disse que um chá caseiro de capim-santo, gengibre, sabugueiro, pimenta-do-reino, limão e mel de abelha seria capaz de vencer o coronavírus (o Twitter apagou a postagem feita pelo ditador).
No México, no início da pandemia, o presidente esquerdista López Obrador afirmou que as pessoas deveriam continuar saindo de suas casas e que não evitassem abraços. Ou seja, Bolsonaro não está sozinho, conta com o apoio de governantes populistas, inclusive, de Nicolás Maduro, que, assim como ele, loteia cargos públicos com a presença de militares.
Entretanto, enquanto não há nenhum medicamento que cure os pacientes com a Covid-19, nem uma vacina disponível no mercado contra o coronavírus, as principais formas de se evitar infecções e mortes pela doença ainda são as medidas de distanciamento social, a correta higienização das mãos e o uso de máscaras. Se, no início da pandemia, o uso de máscaras era orientação aos pacientes e às pessoas e profissionais que deles cuidam, após a realização de novos estudos científicos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras autoridades sanitárias passaram a aconselhar a ampla utilização de máscaras em locais públicos e em todas as situações em que não seja possível manter o mínimo distanciamento social.
As recomendações não foram suficientes, alguns Estados e municípios tiveram que estabelecer a aplicação de multas àqueles cidadãos que se recusam a usar máscara. Porém, as multas também não foram suficientes, ainda há indivíduos que insistem em abrir mão das máscaras ou usá-las de modo ineficiente (com o nariz descoberto ou com a máscara no queixo, por exemplo).
Para não se proteger, inventam toda sorte de justificativas: uns dizem que máscara sufoca e aumenta a acidez do sangue (sabe-se lá de onde tiraram essa tese), outros acham que a máscara é para cidadãos e não para “engenheiro formado” ou para desembargador. Há ainda os dizem que a obrigatoriedade da máscara ofenderia suas liberdades individuais, ainda que isso possa prejudicar à coletividade. Bolsonaro, a propósito, disse que máscara é “coisa de viado”.
De fato, a máscara pode até causar algum desconforto, mas é uma medida necessária a todos. Não confie em quem não usa máscara! Essas pessoas representam o cúmulo do individualismo predatório, acreditam que se forem infectados, terão apenas uma “gripezinha” porque “coronavírus só mata idosos”. Quem não usa máscara estampa na cara que não se importa com a vida das outras pessoas: “morra quem morrer”. Creem que são melhores que os demais cidadãos e que, por isso, o dever geral de usar máscara não se aplica a eles.
Na verdade, a máscara desperta tantas demonstrações de falta de empatia e de responsabilidade social porque seu uso iguala as pessoas, mostra que, ao menos em tese, estamos todos no mesmo barco. E igualdade ainda é um tema difícil de se defender num país que, infelizmente, ainda carrega o ranço histórico e cultural do “você sabe com quem está falando?”. Por isso, não confie naqueles que se acham privilegiados e que não usam máscara, porque, para eles, não há noção de civilidade e o outro não importa.