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Kenner Terra

Artigo de Opinião

Religião

A igreja é um serviço essencial, mas os templos não!

Trabalhos que as comunidades de fé prestam são fundamentais numa calamidade pública, mas não estão ligados ao lugar onde as pessoas se reúnem
Kenner Terra

Publicado em 14 de Julho de 2020 às 14:00

Publicado em 

14 jul 2020 às 14:00
Cruz, religião
A Igreja é composta por pessoas e sua presença no mundo não depende dos encontros públicos Crédito: Shutterstock
Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovou a Lei 333/2020, que estabelece as igrejas e os templos de qualquer culto como atividade essencial em períodos de calamidade de saúde pública. Basta uma primeira lida no texto para percebermos os equívocos teológicos. O conceito de “igreja” não pode ser confundido com o lugar onde os fiéis se reúnem. Inclusive, se espera dos líderes religiosos tal compressão, o que naturalmente evitaria essa discussão e a pressão para voltarem os cultos presenciais.
Indiscutivelmente, os trabalhos que as comunidades de fé prestam são fundamentais. Ninguém negaria o valor da igreja durante a pandemia. O cuidado pastoral, o acolhimento das dores humanas e a assistência às famílias mais pobres são alguns dos essenciais serviços prestados pela Igreja. Contudo, nada disso está ligado ao templo. Como afirma o texto bíblico, a Igreja é composta por pessoas e sua presença no mundo não depende dos encontros públicos presenciais.
Se considerarmos as origens da fé cristã, as seguidoras e seguidores de Cristo não se reuniam em templos. As cartas paulinas e indícios nos Atos dos Apóstolos indicam a existência e sobrevivência da igreja para além de qualquer lugar sagrado. Como Paulo advertiu, o “corpo é o templo do Espírito Santo” (1Coríntios 6.19). Ou seja, na história do Cristianismo os templos chegaram depois. Por isso, é um grande sinal de desvio quando sua presença ganha mais valor do que a vida humana.
Então, não me parece honesto e responsável que em plena crise sanitária, quando há tanta negociação sobre o enfrentamento aos efeitos destrutivos da pandemia, confundirmos a importância da Igreja com suas reuniões presenciais. Tornar os encontros presenciais como serviço essencial – porque, no fundo, é isso que a Lei propõe – não representa qualquer preocupação piedosa, mas revela-se como conveniência política, intoxicação ideológica e compreensão equivocada do papel da Igreja na esfera pública. Não é colocando em risco a vida das pessoas que exercermos a liberdade religiosa ou vivenciamos a fé.
Infelizmente, a necropolítica estabelecida no governo federal também lançou seus tentáculos em terras capixabas. Com o manto sagrado das bênçãos da igreja, a Assembleia, a fim de agradar alguns líderes evangélicos e aplacar seus interesses irresponsáveis, aprovou uma Lei manchada de sangue. Para o bem da população e da própria Igreja, esperamos que o Governo Federal não caia nesse jogo, considere as consequências e vete essa irracionalidade.
*O autor é pastor, doutor em Ciências da Religião e professor
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