A importância da informação em tempos de pandemia tem sido assunto de debates nos últimos meses. Considero a premissa equivocada, uma vez que a produção e a circulação da informação são fundamentais em qualquer período da humanidade. A informação, o primeiro gênero do Jornalismo (com J maiúsculo mesmo), é serviço essencial em todos os tempos, não somente nestes pandêmicos em que estamos vivendo.
Dito isso, cabe salientar que o direito à informação verídica, ética, apurada e checada inúmeras vezes, está previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas em 1948. Em seu Artigo XIX está salientado que “toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.
A Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, ainda em vigor, é bom salientar, orienta que o acesso à informação é um direito fundamental previsto no ordenamento jurídico brasileiro.
Se estamos respaldados em nosso direito à informação, por que o Jornalismo virou alvo de ataques e achaques? Denoto a isso a falta de clareza e de entendimento de qual seja o papel do Jornalismo em todos os períodos da história da humanidade.
Como serviço essencial, o Jornalismo deve dar voz à sociedade e aos seus cidadãos. É através do Jornalismo que sabemos o que acontece no mundo, na política, na economia, na cultura, nas grandes cidades e ou nas periferias, nos morros e nas comunidades.
Não adianta tentar calar o Jornalismo com agressões, xingamentos ou ofensas aos profissionais dos meios de comunicação. Hoje a informação está ao alcance de todos. Somos produtores e consumidores. O que vai diferenciar o Jornalismo do jornalismo é a apuração, a ética, a checagem e a transformação do fato em notícia. E isso só é possível se feito por profissionais comprometidos com a verdade, com a sociedade e com os cidadãos.
O resto, como já escreveu Millôr Fernandes, “é armazém de secos e molhados”. Traduzindo para os tempos atuais, o resto é fake news. Nunca será Jornalismo.
*A autora é jornalista e professora do curso de Jornalismo da Faesa