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Opinião da Gazeta

Turismo no ES precisa começar a superar o próprio amadorismo

Em pleno verão, várias praias capixabas estão passando por obras que incomodam os turistas. Uma demonstração da falta de planejamento e de foco no turismo do poder público

Publicado em 09 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

09 jan 2020 às 04:00

Colunista

Na Praia do Morro, é esse o visual que o turista encontra na areia, com as obras dos banheiros na orla Crédito: Fernando Madeira

O turista que está aproveitando a temporada na Praia do Morro se depara diariamente com obras que, com o mínimo de planejamento, deveriam ter sido realizadas antes do verão.

Ninguém nega que a construção de banheiros públicos no calçadão é uma necessidade, um conforto para o banhista. Mas a execução em plenas férias, com a cidade fervilhando, revela um retrato panorâmico da desorganização da administração pública.

A praia localizada em Guarapari é o destino turístico mais popular do Estado, com sua belíssima paisagem e seus disputados imóveis de veraneio. Por tamanha procura, sua enseada de cerca de 3 quilômetros de extensão deveria oferecer a infraestrutura necessária para propiciar os momentos de lazer esperados o ano inteiro por quem tira férias em janeiro.

Encarar uma praia em obras nesse período é como realizar uma festa numa casa em reforma. É puro transtorno, um desrespeito com o turista e uma mancha para uma cidade que ano após ano se abre para seus visitantes.

Guarapari está na lupa, mas a situação não é diferente em outros balneários do litoral capixaba. A Praia de Camburi, na Capital, também passa por obras, com quiosques fechados. Em Vila Velha, nas praias de Itapoã e Itaparica, o verão tem sido cenário de interdição e demolição de quiosques.

O turismo no Estado, com raras exceções, tende a ser amparado no improviso e na confiança de que o turista sempre volta, por ser um destino mais barato e popular. E, emperrado nessa zona de conforto, não se profissionaliza como deveria. Faltam serviços mais qualificados, que atraiam os olhares de viajantes de todo o país.

Cidades se tornam potências turísticas com algo muito simples: sua capacidade de proporcionar boas experiências, que serão guardadas na memória. Belezas naturais o Estado tem de sobra. Faltam a expertise e o planejamento do poder público. Sem falar na capacidade de atrair investimentos.

Não é transformando sua principal praia num canteiro de obras em pleno verão que as cidades do litoral capixaba conseguirão figurar entre os destinos mais cobiçados do país.

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