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ES apresenta ações de combate à violência contra a mulher em evento da ONU

ES apresenta ações de combate à violência contra a mulher em evento da ONU

Representante do governo do Estado participou de ambientes estratégicos da diplomacia internacional, com debates sobre acesso à justiça e à igualdade de direitos

Publicado em 20 de março de 2026 às 19:09

Subsecretaria na ONU
Fabiana Malheiros levou à ONU dados sobre a realidade capixaba, destacando avanços e desafios Crédito: Arquivo pessoal

A participação do Espírito Santo na 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, reforçou a importância da articulação internacional no enfrentamento à violência de gênero. Integrando a comitiva brasileira, a subsecretária estadual de Políticas para Mulheres, Fabiana Malheiros, retornou ao Estado com experiências e propostas que podem impactar diretamente as políticas públicas locais.

De acordo com a subsecretária, fazer parte da delegação oficial ampliou o alcance da participação capixaba nas discussões. Ela destacou que integrar a comitiva brasileira garante maior inserção nos espaços diplomáticos. “Quando você vai com a delegação, tem outro status, um status maior dentro da ONU”, afirmou.

Fabiana participou também de ambientes estratégicos da diplomacia internacional, onde são construídos documentos e diretrizes globais. Durante o evento, um dos principais temas debatidos foi o acesso à justiça e à igualdade de direitos, com destaque para pautas transversais, como as masculinidades e o enfrentamento à violência contra a mulher. Nesse contexto, o Espírito Santo participou de uma mesa sobre o tema e integrou a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) no âmbito do Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste).

A iniciativa busca melhorar o atendimento a mulheres em situação de violência, especialmente em casos que envolvem deslocamento entre Estados — uma realidade frequente, segundo a subsecretária. De acordo com Fabiana, a cooperação permitirá mais eficiência no acolhimento. “Com essa ação, a gente vai ficar mais tranquilo tanto com relação ao atendimento dessa mulher quanto em relação à polícia, ao acolhimento e à colocação das crianças na escola”, afirma.

A subsecretária também levou à ONU dados atualizados sobre a realidade capixaba, destacando avanços e desafios. Ela lembra que o Espírito Santo ainda figura entre os Estados com maiores índices de violência contra a mulher no país. Ainda assim, houve redução nos casos de feminicídio no início deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

“Até esta data, no ano passado, tinham morrido nove pessoas por feminicídio no Estado. Este ano, morreram duas. No mês de fevereiro, não houve nenhuma morte por feminicídio”, destaca.

Apesar do dado positivo, ela pondera que o cenário ainda exige atenção constante, já que as tentativas de feminicídio não diminuíram. Fabiana ressalta que a redução nos casos consumados pode estar relacionada ao fortalecimento das políticas de prevenção e acolhimento. “Antes de chegar ao feminicídio, essa mulher já conseguiu denunciar e a gente conseguiu tirá-la dessa situação."

Outro ponto observado foi o aumento no número de denúncias, o que, segundo a subsecretária, pode ser interpretado como um avanço nas políticas públicas. “Quando a denúncia aumenta, é porque existe confiança maior nas políticas. A mulher confia que alguma coisa vai dar certo”, explica.

Segundo Fabiana, esse movimento também indica que mais mulheres estão conseguindo romper ciclos marcados por medo e vergonha. Ela atribui esse crescimento à ampliação da rede de atendimento e ao fortalecimento das campanhas de conscientização. O número de estruturas voltadas às mulheres no Espírito Santo também cresceu significativamente, passando de três para 40 organismos.

A subsecretária estadual apresentou ainda o projeto “Homem que é Homem”, uma iniciativa do Espírito Santo voltada à reflexão e à responsabilização de homens autores de violência doméstica e familiar, desenvolvida pela Polícia Civil, que visa à redução da reincidência da prática criminosa.

Além das discussões sobre violência, a participação na CSW trouxe novas perspectivas sobre políticas públicas, especialmente na área do cuidado. Experiências de países como México e Uruguai chamaram a atenção pela forma como enfrentam a sobrecarga feminina, com afazeres domésticos e profissionais.

Fabiana destaca que essas políticas envolvem desde creches até serviços como lavanderias e restaurantes populares, que ajudam a reduzir o acúmulo de tarefas domésticas. Segundo ela, trata-se de uma atuação estruturada do Estado para apoiar o cotidiano das mulheres e ampliar sua autonomia.

O cuidado é basicamente exercido pelas mulheres, e essa sobrecarga tem gerado muitos problemas, principalmente na saúde mental

Fabiana Malheiros

Subsecretária estadual de Políticas para Mulheres

Ela ressalta ainda que iniciativas simples podem gerar impacto significativo no cotidiano. “Com um restaurante popular, por exemplo, você resolve o problema da alimentação. Tem um respiro. Não precisa ir para o fogão. Isso dá mais tempo de descanso e qualidade de vida para a mulher”, aponta.

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