Entre as inúmeras declarações compartilhadas nas redes sociais nos últimos dias sobre o feminicídio da comandante da Guarda de Vitória Dayse Barbosa Mattos, a da delegada Raffaella Almeida Aguiar foi uma das que repercutiram nacionalmente. Trata-se do recorte de uma entrevista em que ela comenta a investigação do crime e analisa a violência de gênero, que, no entendimento dela,não é sobre quem é a vítima, mas sim sobre quem é o homem.
“O caso foi tão emblemático porque mostra muito que não é quem é a vítima, porque ela é uma mulher forte, uma autoridade, mas sim a violência de gênero é sobre quem é o homem. Você vê uma comandante da Guarda Municipal sofrer essa violência mais gravosa, que é o feminicídio", disse.
“A posição de comando na Guarda Municipal talvez criasse a percepção de que Dayse poderia estar mais segura ou que sua patente a diferenciasse de outras mulheres. Mas o fato de seu então companheiro não ter se intimidado em matá-la a aproxima de outras tantas vítimas de violência de gênero no país, que são violentadas independentemente da condição social e econômica.”
Nas redes sociais, Dayse buscava empoderar outras mulheres, mas sua atuação não se restringia à internet. Na vida real, ela fazia questão de apoiar tantas outras. Foi por incentivo dela, por exemplo, que a amiga Franciany Pimenta tomou coragem de fazer o concurso para a Guarda Municipal de Vitória. "Começamos em 2012, fizemos todas as etapas juntas e fomos da mesma turma", relembra.
Em casa, sem a farda, a preocupação continuava, mas era com o futuro da filha, hoje com 8 anos. "Desde que a conheci, o maior sonho dela era ser mãe de uma menina. Engravidou e me fez o convite para batizá-la", conta Franciany Pimenta.
Franciany Pimenta
Guarda municipal
Dayse era uma mulher determinada, empoderada, corajosa, independente, uma verdadeira fortaleza para aqueles que estavam com ela
Essa determinação fez com que Dayse chegasse ao posto de comandante da Guarda, sendo a primeira mulher a ocupar essa posição na Capital em mais de 20 anos de existência da instituição.
Nas horas após a sua morte, muitos ficaram chocados com a brutalidade com que tudo ocorreu e com a dimensão do crime. Afinal, como analisou a delegada Raffaella Almeida Aguiar, nem a posição dela enquanto comandante a afastou do feminicídio.
Assim como outras tantas outras mães, Dayse trabalhava incansavelmente em busca de dar um futuro melhor para a filha. A violência sofrida por ela enquanto mulher evidencia que não dá para saber quando episódios assim deixarão de ocorrer.
A única certeza é que ela se tornou símbolo de uma luta para que outras mulheres não passem pelo mesmo e para que meninas, como sua filha, tenham um mundo mais seguro, sem feminicídio.
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