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Luciney Araújo
Reconstrução

Setor imobiliário dá sinais de retomada e prevê lançar 2 mil unidades

Depois de anos de dificuldades, construção civil começa a reconstruir sua história no Estado. Setor planeja desengavetar projetos para aproveitar retomada gradual da economia

Giordany Bozzato

Publicado em 13 de Dezembro de 2019 às 05:00

Publicado em

13 dez 2019 às 05:00
Prédios estão sendo construídos na Enseada do Suá, em Vitória Crédito: Luciney Araújo
Os sinais de recuperação da economia brasileira têm contribuído para um processo de reconstrução do mercado imobiliário capixaba, que prevê lançar 2 mil unidades em 2020.
Juros baixos, grande oferta por financiamentos, início da retomada do empregoinflação controlada e confiança no aumento do Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos trazem segurança para empresas do setor, que passaram nos últimos anos por um dos momentos mais difíceis da história.
No início dos anos 2000, a Grande Vitória passava por uma corrida imobiliária. Canteiros de obras eram vistos em diversos bairros. Regiões pouco habitadas eram alvos de empreendimentos. Empresas locais e nacionais, atraídas pelo avanço da construção civil, começaram a lançar grandes projetos, focadas em diversas classes econômicas, acreditando ter espaço nesse mercado diante do grande déficit habitacional que existia no Estado.
A democratização do crédito imobiliário, serviço antes restrito aos mais ricos, contribuiu para empolgar os empreendedores, que enxergavam mais oportunidades de crescimento. A expansão era tão forte e rápida que muitos se atreviam a dizer que o Espírito Santo passava por um “boom imobiliário”, que não se restringia à Região Metropolitana, mas também atingia o interior.
A euforia, no entanto, aos poucos foi dando lugar à preocupação. As empresas estavam com dificuldades para desovarem seus estoques e começaram a perceber que o Estado pode ter vivido uma miragem imobiliária. A bolha explodiu de forma forte quando veio à tona a crise econômica nacional. Com a recessão, o segmento, que empregava mais de 60 mil pessoas, foi encolhendo de maneira ainda mais intensa do que cresceu.
A turbulência financeira derrubou drasticamente o número de lançamentos, de obras em construção e de empregados contratados. Tudo isso, se refletiu na economia capixaba. Agora, no fim de 2019, o jogo começou a mudar mais uma vez. E a expectativa é de que em 2020 o setor volte a ganhar fôlego.
Estimativas de representantes do setor apontam que o número de unidades construídas - que inclui apartamentos, casas e lojas - deve se manter estável entre 2018 e 2019. Porém, já é feita uma projeção de melhora para 2020, quando as unidades em construção no Estado devem subir dos atuais 11 mil para 13 mil unidades.
Os números ainda estão longe de atingir o pico de alguns anos atrás, de cerca de 35 mil imóveis em obra, mas demonstram um otimismo de uma retomada gradual da atividade econômica.
“Poucas entregas foram feitas durante esse período de crise. Com isso, os apartamentos que estavam prontos, mas ainda de posse das construtoras, foram vendidos. Como o estoque foi consumido, agora estamos vendo um aquecimento dos lançamentos e um crescimento no volume de empreendimentos”, avalia o empresário Paulo Baraona, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon).
Prova da recuperação do setor é uma família de Vila Velha, que aproveitou o momento para trocar de apartamento. O servidor público Lassiter Machado Dario, 42, e a dona de casa Adriana Gaigher Dario, 39, moravam em um apartamento na Praia da Costa. A pedido do filho Bernardo, de 8 anos, eles começaram a procurar um condomínio com mais opções de lazer.
Lassiter Machado Dario, Adriana Gaigher Dario e Bernardo Gaigher Dario se mudaram recentemente para um apartamento em Itaparica, Vila Velha Crédito: Ricardo Medeiros
“Nós conseguimos vender o nosso apartamento em 10 dias. Deu para ver que o mercado está voltando porque várias pessoas foram visitar o imóvel. Nós vendemos lá, compramos aqui e estamos fazendo a mudança”, diz Adriana. “Ainda vamos fazer algumas mudanças no apartamento, algumas obras, para deixá-lo com a nossa cara”, completa Lassiter, que agora mora em Itaparica com a sua família.

MOMENTO ATUAL É POSITIVO

“Nestes últimos meses de 2019, novos empreendimentos foram lançados e com sucesso de venda - 55% das unidades - coisa que não acontecia anteriormente. Isso também demonstra esse aquecimento no setor ou sua retomada”, acrescenta Kfuri.
O empresário Sandro Carlesso, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), destaca que o momento é positivo para quem quer comprar a casa própria.
O consultor imobiliário José Luiz Kfuri conta que já neste primeiro semestre de 2019 as incorporadoras começaram a desengavetar os projetos que foram suspensos por causa da crise. “Algumas empresas estão readequando seus empreendimentos à realidade do mercado atual e outras, mais corajosas, fazendo novos lançamentos.”
"Com os juros baixos, banco reduzindo as taxas de financiamento e criando opções para a casa própria, inflação baixa… Creio que esse seja o melhor momento para o cliente comprar"
Sandro Carlesso - Presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES)

OTIMISMO, MAS COM OS PÉS NO CHÃO

Apesar de acreditar na melhoria, o momento do mercado imobiliário ainda precisa ser visto com cautela. O crescimento, para ser sustentável, precisa girar em torno de 15% a 20% ao ano.
“O mercado é bastante dinâmico. Conforme alguns empreendimentos vão ficando prontos, outros vão se iniciando. Acredito que vamos seguir um crescimento dentro desse percentual por alguns anos até estabilizarmos em 20 mil unidades em construção. Dificilmente voltaremos aos tempos áureos em que se produzia 30 mil unidades”, pondera o presidente do Sinduscon.

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