Publicado em 16 de agosto de 2024 às 19:57
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o cenário de mpox no continente africano constitui emergência em saúde pública de importância internacional em razão do risco de disseminação global da doença e de uma potencial nova pandemia. Este é o mais alto nível de alerta da entidade. >
A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus da família do vírus da varíola (já erradicada). A transmissão ocorre por meio do contato com pessoas infectadas ou materiais contaminados pelo vírus. "Trata-se de um vírus transmitido por contato íntimo com um animal ou pessoa infectada, também pode ocorrer a partir do contato com superfícies contaminadas. A transmissão maior ocorre a partir do contato com secreções respiratórias", explica o infectologista Luis Henrique Barbosa, da Rede Meridional. >
A doença é caracterizada pelas lesões na pele, mucosas e órgãos internos. O médico explica que as lesões de pele surgem após 1 a 5 dias de febre, que segue dando origem a elas. "Iniciam como manchas altas e evoluem para vesículas com conteúdo líquido claro em seu interior. Estas lesões se localizam nas extremidades do corpo como face, braços, pernas e órgãos genitais. Também podem surgir na boca". >
Luis Henrique Barbosa
InfectologistaO infectologista Eduardo Pandini, do Hospital Maternidade São José, conta que a mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus da mesma família do vírus da varíola. Até 2022, a circulação estava restrita à África. “A transmissão ocorre por gotículas expelidas na respiração e fala ou, mais comumente, pelo contato direto com a pele com lesões”, explica. >
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Segundo ele, existem duas linhagens, a 1 - mais agressiva, que circula na África Central - e a 2, mais leve, que circula na África Ocidental. Em 2022, uma linhagem derivada da 2 começou a circular fora da África e se mostrou mais contagiosa, especialmente durante relações sexuais. >
O médico alerta que agora está circulando no Centro e Leste da África uma linhagem derivada da 1, que é mais letal. “O alerta da OMS é pela possibilidade de ela ser mais transmissível e causar uma nova onda de casos no mundo, mas dessa vez com mais mortes”, pontua.>
Pandini explica que na epidemia de 2022, houve uma predominância da doença em homens jovens homossexuais, com a doença sendo transmitida em grupos de pessoas que mantinham relações sexuais entre si. "No entanto, nesse surto atual na África não há uma predominância clara entre homens e mulheres".>
Eduardo Pandini
InfectologistaO médico alerta que, no caso de suspeita, a recomendação é procurar logo um serviço de saúde para realizar o diagnóstico. “Diante da suspeita, é importante a pessoa se isolar até que todas as lesões crostosas se descamem completamente, para evitar que a doença se espalhe”, concluiu Pandini.>
O tratamento para mpox é baseado no controle dos sintomas, especialmente a dor das lesões. “Nos casos graves existem medicações específicas como Cidofovir, Brincidofovir e Tecovirimat. Existe também uma vacina que, segundo o protocolo brasileiro, está indicada para pessoas com maior risco ou que tiveram contato com quem teve mpox para prevenção pós-exposição", finaliza o médico. >
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