A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do parênquima pancreático associada à alta morbimortalidade. Sua incidência está aumentando globalmente, com uma estimativa de 34 casos/100.000 habitantes por ano, de acordo com estudos epidemiológicos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão localizado no abdômen responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios como insulina e glucagon. Durante a inflamação dessa glândula as enzimas digestivas são inadequadamente ativadas dentro dela mesma, causando danos locais ou em todo o organismo. A condição pode se manifestar de forma aguda, quando surge de repente, ou crônica, quando evolui ao longo do tempo.
Segundo a gastroenterologista Ozília Darós, da Unimed Sul Capixaba, muitos pacientes chegam ao atendimento relatando uma dor intensa e persistente, que não melhora facilmente e vem acompanhada de mal-estar geral, o que exige investigação rápida.
“Os sintomas costumam ser bastante característicos. A dor abdominal é o principal sinal e aparece geralmente na região superior do abdômen, podendo irradiar para as costas. Também são comuns náuseas, vômitos, aumento da frequência cardíaca e desconforto abdominal”, explica.
Entre as principais causas estão cálculos biliares e o consumo excessivo de álcool, além de fatores como hipertrigliceridemia, medicamentos, doença auto-imune e após procedimentos endoscópicos. De acordo com a médica, seu diagnóstico é dado pela presença de pelo menos dois dos seguintes critérios: quadro clínico típico (dor em abdômen superior com irradiação para dorso, náusea e vômito) e/ou alteração laboratorial com aumento de lipase ou amilase séricas maior ou igual a três vezes o limite superior da normalidade, ou presença de alterações em exames de imagem abdominal como tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética de abdômen. “O manejo inicial da pancreatite aguda é decisivo para seu curso e desfecho clínico”.
A gastroenterologista destaca que o tratamento da pancreatite depende da gravidade do quadro, mas geralmente inclui internação, controle da dor, hidratação intravenosa e suporte nutricional. “Em alguns casos, pode ser necessário tratar a causa, como a retirada de cálculos biliares ou a suspensão do consumo de álcool. O acompanhamento médico é essencial, já que a doença pode evoluir rapidamente para quadro grave sem assistência adequada”.
A pancreatite tem cura nos casos agudos, especialmente quando identificada e tratada precocemente. "Já a forma crônica não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com acompanhamento contínuo e mudanças no estilo de vida, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente. O reconhecimento dos sinais e a busca por atendimento ao surgirem os primeiros sintomas são determinantes para um desfecho positivo", ressalta a médica.