O ex-jogador Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. Conhecido como "mão santa", ele eternizou a camisa 14 da seleção brasileira. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (SP), após ter um mal-estar, mas não resistiu.
Oscar lutou durante 15 anos contra um tumor cerebral. Em 2011 ele foi diagnosticado com um tipo de câncer de cérebro chamado glioma, localizado na parte frontal esquerda do cérebro. Na época, Schmidt realizou uma cirurgia para a retirada do tumor de grau 2, considerado baixo.
Quando a cirurgia é indicada?
Ao longo desse período, Oscar foi submetido a cirurgias, sessões de quimioterapia e de radioterapia, em um acompanhamento prolongado, que exemplifica a complexidade do cuidado em cânceres do sistema nervoso central.
A Sociedade Brasileira de Radioterapia explica que o câncer no cérebro abrange um conjunto heterogêneo de tumores que podem se originar no próprio sistema nervoso central ou resultar de metástases de outros órgãos. Entre os tumores primários (surgidos no cérebro), os gliomas são os mais frequentes. Eles se desenvolvem a partir das células gliais, responsáveis por dar suporte e proteção aos neurônios, e apresentam comportamentos distintos, que variam de formas de crescimento lento até variantes altamente agressivas.
Os sinais e sintomas dos tumores cerebrais variam de acordo com a sua localização e estadiamento, porém os mais comuns são a dor de cabeça intensa e persistente que pode não responder aos analgésicos comuns. As convulsões em pacientes que nunca as tiveram, a falta de coordenação motora, bem como a perda de força ou sensibilidade nos diversos segmentos do corpo são comuns em pessoas com essas patologias, além dos vômitos, perda de apetite e apatia.
De maneira geral, as estratégias terapêuticas incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou em combinação, dependendo das características do tumor e das condições clínicas do paciente.
A radioterapia, em particular, desempenha um papel central em diferentes momentos do tratamento. “A abordagem contribui para o controle da doença, alívio dos sintomas neurológicos e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Principalmente quando a cirurgia não é uma opção viável e t de forma complementar a cirurgia em algumas situações”, explica o radio-oncologista Gustavo Nader Marta.
Nos tumores cerebrais primários, a cirurgia costuma ser a primeira opção terapêutica, sempre que possível. Após a retirada da lesão, a radioterapia é frequentemente indicada no pós-operatório, com o objetivo de reduzir o risco de progressão e prolongar o tempo livre de doença. Em situações nas quais a cirurgia não é viável, seja pela localização do tumor em áreas críticas do cérebro ou pelas condições clínicas do paciente, a radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal, muitas vezes associada à quimioterapia.
Nas metástases cerebrais, que representam uma das complicações mais comuns em pacientes com câncer, o tratamento é individualizado. “Quando as metástases são pequenas, especialmente com até 3 cm, a melhor técnica é a radiocirurgia estereotáxica”, afirma Marta. Esse tipo de abordagem permite a administração de altas doses de radiação de forma precisa, em geral em dose única, preservando o tecido saudável ao redor.
Quando os tumores são maiores ou provocam aumento da pressão intracraniana, a cirurgia pode ser indicada para alívio dos sintomas, sendo frequentemente seguida de radioterapia complementar. Já nos casos com múltiplas lesões, a radioterapia de todo o cérebro pode ser considerada, muitas vezes em associação com terapias sistêmicas.
A escolha da estratégia terapêutica leva em conta uma série de fatores, incluindo o número e o tamanho das lesões, a presença de sintomas e o estágio da doença. Em alguns pacientes assintomáticos e com acesso a tratamentos sistêmicos eficazes, a intervenção local pode ser postergada com segurança, desde que a decisão seja tomada por uma equipe multidisciplinar.
Segundo Gustavo Marta, a investigação diagnóstica se estabelece inicialmente pelo exame clínico geral e neurológico, seguidos de exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética cerebrais). “O diagnóstico da doença, na maioria das vezes, se dá pela biópsia do tumor. A análise da biópsia, além do diagnóstico, ajuda a melhorar a percepção médica do prognóstico e mostrar um caminho de qual tratamento seguir, sendo sempre de caráter multidisciplinar, discutindo cada caso individualmente para decisão sobre os protocolos”, finaliza.