O uso de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida tem se consolidado como uma importante ferramenta no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, a redução significativa do apetite provocada por essas medicações exige atenção especial à alimentação, principalmente ao consumo de proteínas.
Como esses medicamentos reduzem o apetite, as pessoas comem menos e correm o risco de perder muita massa magra (músculos) em vez de apenas gordura. O consumo de proteínas é crucial para proteger os músculos durante o processo.
Segundo a endocrinologista Camila Salim, da Rede Meridional, esses medicamentos atuam em hormônios intestinais que ajudam a controlar a fome, aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento do estômago. Como consequência, os pacientes tendem a consumir menos alimentos ao longo do dia.
"Com a diminuição da fome, algumas pessoas passam a ingerir quantidades muito menores de alimentos, o que pode resultar não apenas em menor consumo de calorias, mas também na redução da ingestão de nutrientes essenciais, como as proteínas", explica a médica.
Além de serem indicados para o tratamento da obesidade, do sobrepeso e do diabetes tipo 2, a semaglutida e a tirzepatida também podem trazer benefícios para condições associadas ao excesso de peso, como apneia do sono, insuficiência cardíaca, esteatose hepática e doenças cardiovasculares.
A especialista destaca que uma ingestão adequada de proteínas é fundamental durante o processo de emagrecimento. Isso porque, além da perda de gordura, o organismo pode perder massa muscular, o que compromete a força física, o metabolismo e a manutenção dos resultados alcançados.
"As proteínas ajudam a preservar a musculatura, aumentam a saciedade e contribuem para melhores resultados metabólicos e funcionais durante a perda de peso", afirma. A quantidade ideal de proteína varia de acordo com fatores individuais, como idade, peso corporal, nível de atividade física, presença de doenças crônicas, objetivos do tratamento e quantidade de massa muscular. Por isso, a orientação de um médico ou nutricionista é essencial.
Quando o consumo proteico é insuficiente, podem surgir consequências como perda de massa muscular, redução da força, fadiga, recuperação mais lenta após exercícios ou doenças, queda da imunidade e piora da saúde da pele, cabelos e unhas
Camila Salim Endocrinologista
O risco é ainda maior para quem utiliza as chamadas "canetas para emagrecimento". De acordo com a endocrinologista, a falta de proteínas durante o tratamento pode acelerar a perda muscular, reduzir o metabolismo e dificultar a manutenção do peso perdido a longo prazo.
"Em idosos, a situação merece atenção redobrada, pois a perda de massa muscular pode favorecer o desenvolvimento da sarcopenia, condição caracterizada pela redução progressiva da massa e da função muscular", alerta Camila.
A endocrinologista Gisele Lorenzoni explica que, na maioria dos casos, quem usa essas medicações precisa consumir mais proteínas para além da preservação de massa muscular, manter a força, a imunidade e a recuperação do organismo.
“Há uma redução importante do consumo de proteínas, o que significa um risco de perda muscular. Esse deve ser um ponto de atenção durante o tratamento, porque a perda de peso precisa ocorrer com a preservação de massa muscular, para garantir um processo saudável de emagrecimento”, alerta.
De acordo com a especialista, a necessidade de consumo protéico, no entanto, deve ser avaliada de forma individual, levando em consideração critérios como idade, peso, estilo de vida e prática de atividades físicas.“A população idosa, por exemplo, tende a precisar de maior atenção ao consumo proteico para evitar perda muscular. Já pacientes fisicamente ativos podem necessitar de quantidades maiores para recuperação e manutenção de massa magra”, pondera Gisele.
Além da perda de massa muscular, a deficiência de proteínas pode causar fraqueza, fadiga, piora do metabolismo, redução da imunidade, queda de cabelo e maior dificuldade na recuperação do organismo. “A perda excessiva de peso sem preservação da musculatura resulta em um emagrecimento “de baixa qualidade”. Por isso, o acompanhamento nutricional e médico é essencial durante o uso desses medicamentos”, ressalta.
Para garantir segurança e eficácia no tratamento, o recomendado é que o uso desses medicamentos seja sempre acompanhado de um plano alimentar equilibrado, capaz de fornecer proteínas e outros nutrientes essenciais, além da prática regular de exercícios físicos, especialmente os de fortalecimento muscular.