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Lesões pelo corpo

Mpox passa pelo beijo? Entenda os sintomas do vírus e como se proteger

Os sintomas variam, mas o mais comum é uma erupção cutânea que se assemelha a bolhas ou feridas, durando de duas a quatro semanas

Publicado em 06 de Novembro de 2026 às 14:14

Guilherme Sillva

Publicado em 

06 nov 2026 às 14:14
Homem com mpox
 Erupções cutâneas que se assemelha a bolhas ou feridas são algusn dos sinais shutterstock

O Ministério da Saúde (MS) autorizou nesta quinta-feira, 5, a aquisição de até 20 mil doses da vacina contra a doença para reforçar o estoque estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pasta, a compra tem caráter preventivo e busca garantir a capacidade de resposta do sistema de saúde diante das demandas identificadas nos estados.


Segundo o MS, o Brasil confirmou 665 casos de mpox em 2026, uma redução de 94% em comparação com os mais de 10 mil registros de quatro anos atrás. No Rio de Janeiro, os casos da doença voltaram a crescer no Rio de Janeiro, confirmando 74 infecções em setembro e outubro. 


Surtos de mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década, e as infecções têm aumentado de forma constante nos últimos anos. A mpox é causada pelo vírus Monkeypox, que pode se espalhar entre pessoas e, ocasionalmente, do ambiente para pessoas, por meio de objetos e superfícies contaminadas. Em regiões onde o vírus circula entre animais selvagens, a transmissão para humanos pode ocorrer através do contato com esses animais.


Os sintomas variam, mas o mais comum é uma erupção cutânea que se assemelha a bolhas ou feridas, durando de duas a quatro semanas. Outros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção pode afetar o rosto, mãos, pés, virilha e regiões genitais ou anal.


"As lesões também podem aparecer na boca, garganta, ânus, reto, vagina ou olhos. O número de feridas varia, e algumas pessoas podem desenvolver inflamação no reto, causando dor intensa, ou nos órgãos genitais, dificultando a urina”, esclarece a infectologista Vanessa Lentini, do Hospital Santa Marcelina. 


O período de incubação (intervalo entre a infecção e o início dos sintomas) varia de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. As erupções costumam surgir entre um e três dias após o início da febre, mas também podem aparecer antes.

Beijar transmite o vírus?
O vírus se espalha de pessoa para pessoa por meio de contato próximo com alguém infectado, incluindo gotículas de curto alcance ao falar ou respirar, contato pele com pele (como em relações sexuais), e contato boca a boca ou boca a pele. 

“Pessoas com mpox são infecciosas até que todas as lesões formem crostas e caiam, revelando nova pele. A transmissão pode ocorrer enquanto as lesões nos olhos, boca, garganta, vagina e ânus não cicatrizarem, o que geralmente leva de duas a quatro semanas”, explica Vanessa Lentini.

A mpox pode ser transmitida pelo beijo. A transmissão ocorre por meio do contato físico próximo e direto com uma pessoa infectada. No caso do beijo, existem dois mecanismos principais que explicam o contágio. O contato com lesões na boca ou ao redor dela: O vírus está presente em alta concentração nas erupções cutâneas, bolhas e feridas causadas pela doença. Muitas vezes, essas lesões surgem dentro da boca, na língua, na garganta ou nos lábios (nem sempre visíveis a olho nu). Ao beijar, ocorre o contato direto da mucosa com o vírus.

E através de trocas de secreções respiratórias e saliva: a doença também é transmitida por gotículas respiratórias (saliva e secreções da garganta) durante o contato face a face prolongado. Como o beijo envolve a troca direta de saliva e proximidade extrema, facilita a passagem do vírus de uma mucosa para outra.

O vírus pode persistir por algum tempo em roupas, roupas de cama, toalhas, objetos e superfícies tocadas por uma pessoa infectada. Outra pessoa pode se infectar ao tocar nesses itens contaminados, especialmente se houver cortes na pele ou se tocar olhos, nariz, boca ou outras membranas mucosas sem lavar as mãos. “A transmissão também pode ocorrer pelo contato com animais infectados, incluindo macacos e roedores terrestres. Esse contato pode se dar através de mordidas, arranhões ou durante a caça e preparo de alimentos, e o vírus pode ser contraído ao ingerir carne malcozida de animais infectados”, diz a infectologista Michelle Zicker, São Cristóvão Saúde. 

Qualquer pessoa que tenha contato físico próximo com alguém com sintomas de mpox ou com um animal infectado está em risco de infecção. Pessoas vacinadas contra a varíola humana podem ter alguma proteção contra a Mpox. “No entanto, é improvável que jovens tenham sido vacinados, já que a vacinação foi interrompida após a erradicação da varíola humana em 1980. Mesmo vacinados devem adotar medidas de proteção”, orienta Vanessa Lentini.

Para reduzir o risco de infecção limitando o contato com pessoas sob suspeita de Mpox ou diagnosticadas com a doença:

Use máscara, especialmente se a pessoa infectada tiver lesões na boca ou estiver tossindo;

Evite contato pele a pele e use luvas descartáveis se precisar tocar as lesões;

Use máscara ao manusear vestimentas ou roupas de cama da pessoa doente;

Lave regularmente as mãos com água e sabão ou utilize álcool em gel, especialmente após contato com uma pessoa infectada;

Roupas, lençóis, toalhas, talheres e pratos dos infectados devem ser lavados com água morna e detergente;

Limpe e desinfete superfícies contaminadas e descarte resíduos de forma adequada.
Vacinação: quem pode receber
A estratégia de vacinação do Ministério da Saúde prioriza pessoas com maior risco de evolução para formas graves:

Pessoas vivendo com HIV/aids com 18 anos ou mais e contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses;

Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em laboratórios NB-2, entre 18 e 49 anos.

Já a vacinação pós-exposição é recomendada para pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções de casos suspeitos ou confirmados, conforme avaliação da vigilância local e recomendações da OMS.

As pessoas infectadas devem permanecer em isolamento até que todas as crostas tenham caído e a pele esteja totalmente cicatrizada. Não devem compartilhar objetos pessoais, como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente ou talheres.

"A higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel é essencial, assim como a limpeza e desinfecção de superfícies com hipoclorito de sódio ou produtos alcoólicos. Evitar contato com animais de estimação e lavar roupas de cama e vestimentas separadamente, com água morna e detergente. O isolamento correto e o cuidado com a higiene são determinantes para interromper a cadeia de transmissão”, reforça Michelle.

A confirmação da doença é feita por exames laboratoriais, como testes moleculares e sequenciamento genético. Todo caso suspeito deve passar por análise específica. A coleta é realizada, preferencialmente, a partir da secreção das lesões. Se elas já estiverem secas, as crostas são encaminhadas para exame. 

O manejo da Mpox é baseado principalmente em cuidados de suporte, com foco no alívio dos sintomas, prevenção de complicações e redução do risco de sequelas. A maioria dos pacientes apresenta quadros leves a moderados. Até o momento, não há medicamento específico aprovado exclusivamente para o tratamento da Mpox. “Os sintomas da mpox geralmente desaparecem por conta própria, sem necessidade de tratamento. É importante cuidar das erupções cutâneas, deixando-as secar ou cobrindo-as com curativos úmidos. Evite tocar em feridas na boca ou nos olhos, e utilize enxaguantes bucais e colírios conforme necessário, evitando produtos com cortisona”, diz Vanessa Lentini.

Atualmente, não há medicamento aprovado especificamente para mpox. O tratamento é baseado em medidas de suporte clínico, com foco no alívio dos sintomas, prevenção de complicações e redução de sequelas. “A maior parte dos casos apresenta evolução leve a moderada”, finaliza Michelle Zicker.  

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