O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, vem chamando a atenção de especialistas também pelo aumento de casos entre adultos mais jovens. Embora a idade ainda seja um dos principais fatores de risco para a doença, estudos e dados epidemiológicos apontam para uma mudança no perfil dos pacientes, com crescimento da incidência entre pessoas de 25 a 49 anos.
No Brasil, são estimados cerca de 45 mil novos casos da doença por ano, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além da predisposição genética e do envelhecimento, fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação inadequada, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e obesidade, podem contribuir para o desenvolvimento do câncer colorretal.
“O aumento dos casos entre pessoas mais jovens exige atenção. Ainda existe a percepção de que o câncer colorretal é uma doença que só aparece em pessoas mais velhas, o que pode fazer com que sintomas importantes sejam ignorados. Precisamos ampliar a conscientização sobre os fatores de risco e sobre a importância de investigar alterações persistentes”, explica o o oncologista Matheus Abreu, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Entre os sinais de alerta estão presença de sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, como diarreia ou constipação, dores ou desconfortos abdominais frequentes, perda de peso sem causa aparente e cansaço constante. Nem sempre esses sintomas significam câncer, mas a persistência deles deve motivar uma avaliação médica.
“O sangue nas fezes, por exemplo, muitas vezes é associado automaticamente a hemorroidas ou outros problemas considerados simples. O importante é não assumir a causa sem investigação. Quando existe uma alteração persistente, é fundamental procurar avaliação médica para entender o que está acontecendo”, alerta o oncologista.
A prevenção também passa pelo acompanhamento médico e pelos exames indicados para cada perfil de paciente. A
colonoscopia é uma das principais ferramentas para identificar lesões no intestino, inclusive pólipos que podem ser removidos antes de evoluírem para um tumor. Pessoas a partir dos 45 anos ou com histórico familiar de câncer colorretal devem conversar com um médico sobre a necessidade e a frequência do rastreamento.
“Quanto mais cedo o câncer colorretal é diagnosticado, maiores são as possibilidades de tratamento e de cura. A colonoscopia tem um papel importante justamente porque permite identificar alterações em fases iniciais e, em alguns casos, retirar pólipos antes que eles se transformem em câncer”, explica Abreu.
Um dos principais métodos para o rastreamento das neoplasias colorretais é o exame chamado de pesquisa de sangue oculto nas fezes. "Ele deve ser feito anualmente e, dependendo do resultado, o médico poderá indicar uma investigação mais aprofundada, com exames como retossigmoidoscopia ou mesmo a colonoscopia total”, diz o oncologista Ramon Andrade de Mello.
Em alguns casos, como pacientes com histórico familiar de doenças genéticas associadas às neoplasias do intestino, pode haver indicação direta para realização da colonoscopia sem precisar realizar o teste de sangue oculto nas fezes.
De acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), além do diagnóstico precoce, a Organização Mundial da Saúde preconiza que os países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, referência e tratamento, realizem o rastreamento do câncer de cólon e reto em pessoas assintomáticas por meio do exame de sangue oculto de fezes. Caso o teste seja positivo (constate a presença de sangue), a pessoa deverá fazer um exame endoscópico (colonoscopia ou retossigmoidoscopia), que permitirá ao médico visualizar a parte interna do intestino para ver se há câncer ou pólipos que possam vir a se transformar em câncer. Ao retirar os pólipos, se evita a própria ocorrência do câncer.
O médico Olival de Oliveira Jr., da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) diz que o câncer colorretal é uma doença que pode ser prevenida e, principalmente, detectada antes mesmo do aparecimento dos sintomas. "O rastreamento permite identificar pólipos, lesões benignas que podem ser removidas antes de se transformarem em câncer, além de diagnosticar tumores em fases iniciais, quando as chances de cura ultrapassam 90%. Nosso desafio é conscientizar a população sobre a importância de realizar os exames no momento adequado".