O gengibre está presente no chá, em sucos, receitas e até em preparações caseiras usadas quando alguém sente enjoo. Mas, afinal, o que ele realmente faz no organismo? E será que ele ajuda mesmo a “aumentar a imunidade” e acelerar o metabolismo?
O gengibre é um rizoma aromático, de sabor levemente adocicado e picante, bastante utilizado na preparação de pratos. Tradicionalmente, também é associado ao alívio de náuseas e a efeitos sobre a digestão.
A nutricionista Juliana Tinelli, explica que seu interesse nutricional está menos na quantidade de vitaminas e minerais e mais na concentração de compostos bioativos. Entre eles estão os gingeróis e shogaóis. Ela destaca que a composição muda conforme ele é preparado. O gengibre fresco tende a apresentar mais gingeróis, enquanto o aquecimento e a secagem favorecem a formação de shogaóis.
O alimento aumentam de forma discreta a temperatura corporal e exigem um pequeno gasto extra de calorias para digerir e processar o alimento. "Ele pode ajudar um pouco a gastar energia ou dar saciedade, mas sozinho ele não faz perder peso. Ele não é um 'queimador de gordura'", diz a nutricionista.
O gengibre possui propriedades anti-inflamatórias naturais comprovadas pela ciência, mas não substitui medicamentos anti-inflamatórios. "Ele tem substâncias que ajudam a combater a inflamação no corpo, mas comer gengibre não substitui remédios nem cura doenças inflamatórias sozinhas", diz.
A imunidade é a capacidade que o organismo humano tem de se defender contra agentes causadores de doenças — como vírus, bactérias, fungos, parasitas — e de identificar e destruir células anormais, como as células cancerígenas. A nutricionista explica que o gengibre é considerado um aliado do sistema imunológico. "Ele é saudável, mas dizer que ele sozinho 'aumenta a imunidade' é exagero. O que vale mesmo é ter uma alimentação equilibrada no dia a dia", diz Juliana Tinelli.
Ele também ajuda o estômago e o intestino a trabalharem melhor, o que facilita a digestão para muitas pessoas, mas não é remédio para curar problemas estomacais. "Quem tem gastrite ou refluxo pode consumir gengibre. Algumas pessoas conseguem comer pequenas quantidades sem problemas, enquanto outras sentem ardência. Cada corpo reage de um jeito", ressalta a profissional.
No dia a dia, o gengibre pode ser consumido fresco, ralado, em infusões ou como tempero. Segundo Juliana, não é preciso recorrer a grandes quantidades ou preparações concentradas: o mais importante é encontrar uma forma agradável de incluí-lo na alimentação.
Também não há evidências de que exista um horário ideal para consumi-lo. Para algumas pessoas, o gengibre em jejum pode causar desconforto, azia ou irritação, sendo mais confortável junto às refeições.
Este conteúdo foi produzido por Analu Fagundes, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do editor Guilherme Sillva.