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Mês de conscientização

Como identificar o Alzheimer no início? Veja os sinais sutis de alerta

A doença é a causa mais frequente de demência e está associada à deterioração progressiva da memória e de outras funções cognitivas

Publicado em 15 de Setembro de 2026 às 09:00

Ana Clara Teixeira

Publicado em 

15 set 2026 às 09:00
Mudança persistente no padrão de comportamento merece atenção e pode ser motivo para uma avaliação médica shutterstock

Esquecer uma informação recente, repetir perguntas, abandonar atividades que sempre fizeram parte da rotina ou começar a apresentar dificuldade para realizar tarefas antes simples. Quando esses comportamentos aparecem, é comum que sejam atribuídos ao envelhecimento, ao cansaço ou até a alterações emocionais. Mas uma mudança persistente no padrão de comportamento merece atenção e pode ser motivo para uma avaliação médica.


A doença, segundo o Ministério da Saúde, é a causa mais frequente de demência e está associada à deterioração progressiva da memória e de outras funções cognitivas, além de alterações comportamentais e perda de autonomia.

O Setembro Lilás é o mês de conscientização sobre a doença e outras demências, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) reforça a importância de investigar alterações cognitivas persistentes. 


“A maioria das funções cognitivas decai com a idade. No entanto, apesar disso, é possível manter a autonomia e a independência. É importante investigar quando a piora cognitiva é exuberante, exagerada ou quando essa perda cursa com dependência para realizar atividades às quais a pessoa estava acostumada”, explica Ivan Aprahamian, geriatra e psiquiatra da SBGG. 


Segundo o médico, em cerca de 90% dos casos, a doença apresenta inicialmente perda de memória verbal recente, caracterizada pelo esquecimento de fatos e acontecimentos atuais. Nas fases iniciais, também podem surgir confusões relacionadas a eventos recentes da vida da pessoa, além de dificuldades de orientação espacial e temporal. 

Diagnóstico precoce

A identificação de um sinal de alerta não significa que a pessoa tenha Alzheimer. O Ministério da Saúde destaca que problemas cognitivos podem ter diferentes causas. Além das doenças neurodegenerativas, alterações podem estar relacionadas a problemas vasculares, depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, uso de determinados medicamentos e outras condições. Algumas dessas causas podem ser tratadas ou até revertidas quando identificadas precocemente.


Por isso, o diagnóstico exige avaliação clínica. Histórico de saúde, entrevista com o paciente e familiares, exame físico, avaliação cognitiva e, quando necessário, exames complementares ajudam a investigar a causa dos sintomas. “Perceber que alguma coisa mudou é o começo da investigação. Não significa diagnosticar Alzheimer porque alguém está diferente. É preciso entender o que está acontecendo, há quanto tempo, como isso evoluiu e qual impacto está tendo na vida daquela pessoa”, afirma o  médico de família Eduardo Trevizoli Justo. 


É importante reconhecer o Alzheimer nas fases iniciais, para organizar o cuidado e envolver a família nas decisões. Além disso, identificar a doença, não significa interromper as atividades que fazem parte do dia a dia. Entre as possibilidades de cada pessoa, manter uma rotina ativa, com estímulos cognitivos e vínculos sociais, pode favorecer o bem-estar e a participação no cotidiano. 


“Já temos muitas evidências de que as intervenções não farmacológicas são importantes para manutenção de qualidade de vida, de autonomia e independência, sempre pelo maior tempo possível dentro da capacidade daquela pessoa”, afirma a psicóloga Laiss Bertola. 

No início de junho, os EUA aprovaram o primeiro novo medicamento para Alzheimer em quase duas décadas
Histórico de saúde, entrevista com o paciente e familiares, exame físico, avaliação cognitiva são ideais para o diagnóstico Freepik

Como essa pessoa era antes?

Para o médico de família, essa talvez seja uma das perguntas mais importantes. “Às vezes, o paciente chega com uma queixa específica: uma dor de cabeça, uma dor de estômago, insônia ou cansaço. Mas também é importante perguntar como ele está, como está se sentindo, como está o humor, se está dormindo bem ou se houve alguma mudança na rotina”, explica Eduardo. 


O acompanhamento ao longo do tempo permite comparar o comportamento atual com o histórico daquele paciente. Uma pessoa que sempre foi comunicativa pode ficar mais retraída.  Alguém que costumava cozinhar pode começar a ter dificuldades com receitas conhecidas. Quem sempre administrou as próprias contas pode passar a cometer erros incomuns. Atividades que antes eram realizadas sem dificuldade podem começar a exigir ajuda.


O que chama atenção, portanto, não é simplesmente “esquecer”. É perceber uma mudança progressiva em relação ao funcionamento habitual daquela pessoa, especialmente quando ela começa a interferir na autonomia.


O cuidado com as pessoas que possuem Alzheimer deve levar em conta não apenas a doença, mas também a rotina, a autonomia, as relações sociais e o ambiente em que vivem. A atuação de profissionais contribui para um cuidado mais amplo, o geriatra atua no quadro clínico e das condições de saúde, enquanto profissionais da Gerontologia contribuem para aspectos relacionados à funcionalidade, rotina, adaptação e qualidade de vida.
 

“O cuidado da pessoa com demência é multifatorial, exige múltiplos profissionais de diferentes áreas. Devemos ter um olhar que seja realmente mais biopsicossocial da pessoa com demência, no seu ambiente, no seu ecossistema e no seu sistema familiar”, destaca Laiss.


Além do acompanhamento adequado, o controle de fatores de risco ao longo da vida também é importante para a saúde cerebral. Hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, perda auditiva e baixa atividade intelectual e social estão entre os fatores que merecem atenção. 

10 sinais de alerta para o Alzheimer

Nem todo esquecimento é sinal de doença. Mas mudanças persistentes que interferem na rotina merecem avaliação.

Perda de memória que afeta a rotina. Esquecer informações recentes de maneira frequente, repetir perguntas ou depender cada vez mais de lembretes e familiares.

Dificuldade para realizar tarefas conhecidas. Problemas para executar atividades que antes eram realizadas normalmente, como cozinhar, organizar a casa ou administrar compromissos.

Dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar conversas. A pessoa pode ter dificuldade crescente para expressar uma ideia, encontrar palavras ou acompanhar uma conversa.

Desorientação no tempo e no espaço. Confundir datas, horários, lugares ou ter dificuldade para encontrar caminhos conhecidos.

Dificuldade para resolver problemas. Problemas para planejar, organizar ou tomar decisões que antes faziam parte da rotina.

Perder objetos ou colocá-los em lugares incomuns. Guardar objetos em locais inadequados e não conseguir refazer o caminho para encontrá-los.

Diminuição do julgamento e da capacidade de tomar decisões Comportamentos ou decisões incomuns para aquela pessoa, inclusive em situações cotidianas.

Perda de iniciativa. Abandonar atividades, hobbies, encontros sociais ou tarefas que anteriormente despertavam interesse.

Mudanças de humor, comportamento ou personalidade. Aumento de irritabilidade, apatia, desconfiança, isolamento ou alterações que não eram características daquela pessoa.

Dificuldade crescente para lidar com atividades do cotidiano. Quando alterações cognitivas começam a comprometer a autonomia e a pessoa passa a precisar de ajuda para atividades que antes realizava sozinha.

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