A chegada do primeiro filho é um dos momentos mais esperados de uma família. Em 2009, a analista de crédito Magda Maria Mariana realizou esse sonho com o marido, mas a alegria se transformou em despedida precoce. Com um ano e sete meses, o pequeno Matheus morreu após complicações cardíacas. Mesmo em meio à dor, o casal tomou uma decisão que ajudaria outras famílias: doar os órgãos do filho.
A doação de Matheus beneficiou dez pessoas. Dez anos depois, Magda, moradora da Ilha das Caieiras, em Vitória, se viu do outro lado dessa história. Diagnosticada com insuficiência cardíaca, ela entrou na fila de espera por um coração novo.
Depois de sete anos aguardando pelo transplante, Magda recebeu, em 2026, o mesmo "sim" que havia dado em 2009. O momento fez com que ela revivesse a história do filho.
“Matheus era o dengo da família inteira, tinha as melhores roupas e quarto. Ele tinha bronquite e, em um raio-x, o médico disse que ele tinha o coração um pouquinho maior do que o normal. Ele começou a ter crises, suava, desmaiava. Em uma delas, ele teve uma convulsão muito forte que causou morte encefálica”, explicou Magda.
Após o transplante, a analista de crédito passou a refletir sobre como carregava consigo não apenas um novo coração, mas também uma história que se conectava à decisão tomada pela família anos antes.
Quando eu recebi alta da UTI para casa, ali a ficha caiu. Ali eu chorei. Mas não de tristeza, mas de gratidão
Magda Maria Mariana transplantada e mãe do Matheus
Incentivo à doação
Depois da morte de Matheus, Magda teve outras duas filhas, mudou-se de São Paulo para o Espírito Santo e, anos mais tarde, passou pelo transplante. A experiência de ter vivido os dois lados da doação fez com que ela se tornasse uma defensora da importância de dizer "sim".
Em entrevista ao repórter Elton Ribeiro, da TV Gazeta, Magda vestia uma blusa com a frase “Seu sim, salva vidas”. Durante o bate-papo, ela recordou que, diante da dor pela perda do filho, chegou a resistir à ideia de doação.
Não foi fácil. Fiquei bastante resistente. A minha família conversou muito comigo e deu uma aula do que era a vida, e eu falei sim. E esse sim salvou 10 pessoas
Magda Maria Mariana Transplantada e mãe do Matheus
Ao lembrar aquele momento, Magda se emocionou tanto pela lembrança de Matheus quanto pela oportunidade de ter recebido um novo coração depois de anos de espera.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardíacas são a principal causa de morte em todo o mundo. No Espírito Santo, mais de 8.500 pessoas morreram em decorrência dessas doenças em 2025. Neste ano, entre janeiro e setembro, foram registradas quase 4.500 mortes, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
De acordo com o coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV), Diogo Barreto, pacientes com quadros mais graves de insuficiência cardíaca podem ter indicação para transplante.
“A insuficiência cardíaca é um tema comum a várias doenças que levam à disfunção do órgão, que não faz o funcionamento de forma adequada. Existem diversos tipos de tratamento, a depender da causa, mas, aquele que não tem mais outra alternativa, é recomendado o transplante. Porém, a única maneira de a gente conseguir a doação é a família aceitar doar”, explicou o cardiologista.
O Dia Mundial do Coração é celebrado em 29 de setembro e busca chamar a atenção para a prevenção das doenças cardiovasculares.
No Brasil, 428 pessoas receberam transplante de coração em 2025. Em 2026, até o momento, 302 pacientes passaram pelo procedimento, sendo seis deles no Espírito Santo.
*Com informações do repórter Elton Ribeiro, da TV Gazeta.