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Próxima cena: redistribuir os papéis na produção audiovisual capixaba

Ainda que a produção de cinema no Estado exista desde de 1926 e tenha ganhado volume durante os anos 1960, só no final dos 1970 o Espírito Santo conhece sua primeira diretora mulher

Publicado em 29 de Fevereiro de 2020 às 11:00

Públicado em 

29 fev 2020 às 11:00

Colunista

Claquete de cinema: mulheres ainda são minorias nas produções Crédito: Pixabay
Desde meados de 2016, um sensível incômodo existente no cenário audiovisual brasileiro vem sendo mensurado e trazido à tona, principalmente a partir da divulgação dos resultados de importantes estudos, qualitativos e quantitativos, destinados à investigação das relações de desigualdade presentes nesse contexto.
Entre esses, estão os relatórios “Raça e Gênero no Cinema Brasileiro 1970-2016”, publicado no Boletim GEMMA n.02, “Participação feminina na produção audiovisual brasileira” e “Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016”, ambos publicados pela Superintendência de Análise de Mercado da Ancine - Agência Nacional do Cinema.
Segundo esse último, do total de 142 longa-metragens lançados naquele ano, 75,4% foram dirigidos por homens brancos, enquanto apenas 19,7% foram dirigidos por mulheres brancas; sendo os 2,1% restantes formados por homens negros, o dado mais alarmante se revela: nenhuma mulher negra dirigiu filmes comercialmente lançados naquele ano. Longe de restringir-se à função de direção, o quadro se repete em outras funções-chave da cadeia produtiva audiovisual como roteiro, produção executiva e direção de fotografia.
No contexto capixaba, apesar da falta, até o momento, de estudos que analisem as questões de raça e gênero nas produções aqui realizadas, temos que o livro-catálogo “Plano Geral: Panorama histórico do cinema no Espírito Santo”, escrito pelo professor Erly Vieira Jr., traz como primeira mulher a dirigir um filme no ES a cineasta Tereza Trautman, já em 1977, com seu filme “Caso Ruschi”.
Assim, ainda que a produção de cinema no Estado exista desde de 1926 e tenha ganhado volume durante os anos 1960, só no final dos 1970 o Espírito Santo conhece sua primeira diretora mulher, e é apenas a partir dos anos 1990 que outras cineastas como Luiza Lubiana, Virginia Jorge e Ursula Dart entram em cena com suas produções.
Se por um lado esses dados são preocupantes, por outro refletem problemas estruturais da sociedade brasileira, que a indústria audiovisual trata de reafirmar (e, em alguns casos, potencializar).
Remonta - Formação Audiovisual é um projeto de capacitação com foco na produção de ambientes inclusivos de pesquisa, formação e troca de conhecimento. O nome é uma alusão ao próprio desejo que move a ação: de remontar, recolocar e redistribuir os papéis e lugares de produção de sentido e conhecimento num contexto saturado por desigualdades e privilégios históricos.
A iniciativa é idealizada por mulheres atuantes na área de cinema e audiovisual no Espírito Santo, que conhecem as dificuldades dessa realidade e que atuam para transformá-la. O Seminário Novos Formatos Audiovisuais e o ciclo Mulheres e Técnicas: Oficinas Audiovisuais são suas atividades inaugurais, apoiadas pela Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo contando com recursos do Funcultura, e serão realizadas ao longo do mês de março na Grande Vitória. 

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