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Depois das chuvas

Poder público deve implementar políticas para as pessoas retomarem a vida

Quando acontecem os desastres naturais, que deslocam as pessoas e suas histórias dos lugares, identifica-se duas perdas, a material e a afetiva. Os capixabas viram as águas levarem seus entes, suas casas, seus documentos e suas histórias

Publicado em 08 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

08 fev 2020 às 04:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Prejuízos causados pelas chuvas no ES Crédito: Fernando Madeira
Estima-se que milhões de pessoas são atingidas por ano por desastres naturais pelo fato de residirem em locais impróprios. De acordo com o Centro de Estudos de Monitoramento de Deslocamento Interno, conforme publicado na "Folha de S. Paulo" em 2017, aconteceram 30,6 milhões de deslocamentos, dentro de um mesmo território, no mundo. Ainda segundo a mesma fonte, o Brasil registrou no similar período que 71 mil pessoas se encontravam nessa situação.
Tragédias climáticas decorrentes dos danos ao meio ambiente e da falta de estrutura das cidades atingem a vida das pessoas produzindo marcas indeléveis. A ação humana que depreda o meio ambiente é rápida e voraz. Em contrapartida, os esforços visando o planejamento de estratégias para minimizar os impactos da depredação não possuem a mesma urgência.
As pessoas, por falta de condições econômicas e sociais, passam a morar em áreas de risco, de forma precária e instável, mantendo-se em estado de alerta sempre que a previsão do tempo indica chuva. É uma permanente vigilância para manutenção da vida.
Quando acontecem os desastres naturais, que deslocam as pessoas e suas histórias dos lugares, identifica-se duas perdas, a material e a afetiva. O deslocamento de pessoas decorrente de tragédias naturais dentro de territórios supera o número de deslocamento provocados por outros fatores, como epidemias e conflitos, caracterizando uma dinâmica de expulsão, conforme o pensamento de Saskia Sassen.
Os capixabas mais uma vez experimentaram esse tipo de expulsão ao verem as águas levarem seus entes queridos, suas casas, seus pertences, seus documentos e suas histórias. A tragédia passou a fazer parte da memória de dor e sofrimento. Mais uma vez as chuvas causaram tragédias que ceifaram vidas e produziram destruição no Estado do Espírito Santo em janeiro de 2020.
A pronta resposta do governo estadual e a solidariedade das pessoas foram o acalento no momento difícil que ficará gravado na vida de mais de 15 mil pessoas que precisarão se adequar à novas rotinas. Segundo boletim da Defesa Civil, do dia 30 de janeiro de 2020, já se contabilizava: 14.098 de desalojados, 1.280 desabrigados e dez mortos, conforme publicizado no site do G1 em 31/01/2020.
Caberá o poder público implementar políticas públicas articuladas que garantam a milhares de pessoas a retomada de suas vidas e a residência em locais seguros, longe de leitos baixos, médios ou planícies de alagamento que existem para que os rios possam se esticar e se encolher, sem produzir sofrimento à vida humana.
A natureza responde do seu jeito aos ataques que sofre, cabendo ao homem, enquanto espécie, planejar e executar estratégias para minimizar as consequências de eventos da natureza que são esperados. E que a chuva seja somente prenúncio de fartura e cheiro de terra molhada, e não sinal de alarme de que uma próxima tragédia está por vir.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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