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Carnaval

Na Mangueira, um Jesus sem fantasias, um “Jesus da gente”

Muitos de nós, quando olhamos para o enredo da escola, nos assustamos com Jesus porque batemos no peito dizendo que somos cristãos, mas não sabemos viver como Ele viveu

Publicado em 27 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 fev 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Menino crucificado e baleado no desfile da Mangueira Crédito: Twitter
Sapucaí foi espaço de muita atração nos últimos dias. Desfiles, fantasias, máscaras, enredos, mas também foi espaço de uma verdade nua, crua e real de um Jesus sem fantasias. A pergunta para nos fazer pensar nesta quinta, aliás, uma quinta quaresmal para os católicos: por que o Jesus Negro, vítima de opressão, indígena, de rosto feminino incomoda tanto ou atrai olhares tão escabrosos? Por que um “Jesus tão humano” incomoda a tantos “humanos”?
A Mangueira levou para Avenida um enredo superior: crítico, oracional e, para muitos, polêmico. Fundamentalismo não teve espaço na alegoria verde e rosa, aliás, Jesus apareceu de roupas jeans e rodeados de amigos - todos representando minorias - dançando e tirando selfies. Até que a polícia apareceu e colocou todo mundo na parede, menos Cristo, que era branco. Ainda assim ele foi preso, numa alusão à passagem bíblica em que ele é pego pelos guardas romanos.
A Mangueira não mostrou um Jesus acima de todos, mas um Jesus que nasce, mora e permanece no meio dos que para quem ele veio. A diversidade do Homem de Nazaré na Avenida revela o plano de vida do Messias que se inclinou ao invés de se achar o santo diante dos pecadores; do Messias que abriu os braços ao invés de condenar as prostitutas; do Messias que veio para defender a liberdade, e por isso foi preso.
Muitos de nós, quando olhamos para o enredo e para  a Marquês de Sapucaí, nos assustamos com Jesus, simplesmente porque digo que o sigo, mas não aceito ser o que Ele foi; nos assustamos porque dizemos “sou católico ou evangélico”, mas Ele defende aquilo que não compartilhamos e repudiamos; nos assustamos porque batemos no peito dizendo que somos cristãos, mas não sabemos viver como Ele viveu.
O Messias da Avenida é o Messias da Manjedoura. É o mesmo que preferiu o “curral” aos palácios e aos templos. Preferiu os pecadores aos “doutores”, preferiu ser gente a ser “Deus”. Preferiu mostrar com sua humanidade que o Divino não é só aquele que desce do Alto ou mora no alto, mas aquele que é muito humano e se rebaixa.
Passaram-se dois mil anos e o “Jesus Gente” que veio pra gente continua a incomodar as mesmas classes de dois mil anos atrás, porém, num contexto ainda mais horrendo: religiosos que dizem que O pregam, poderosos que se intitulam cristãos, cristãos que se dizem seguidores.
Um Jesus sem a fantasia de Deus é e sempre será motivo de incômodos e polêmicas. Aliás, acreditar num Deus de fantasias de Deus é mais fácil do que acreditar num Deus vestido de humano. Pois o humano se choca com o próprio humano, com a própria matéria, com a própria fragilidade e miséria, e isso o desinstala. Talvez seja hora não de repudiar, mas de cantar, todos, o refrão da Mangueira, mesmo que essa não seja a sua escola preferida: “Senhor, tem piedade, olha para a terra, veja quanta maldade!”.
Continue a ter pena de quem não tem pena, continue sendo humano, mesmo que os humanos se incomodem por ser gente.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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