As transformações têm sido significativas em diversos aspectos da religião. Novas denominações têm surgido e o número de pastores cresce de forma exponencial, além da mudança de comportamento da população. A religião deixou de ser aquela do nascimento, tem ocorrido tanto a migração para outras denominações quanto a possibilidade de frequentar mais de uma.
O professor de Filosofia da Ufes e doutor em Ciências da Religião, Edebrande Cavalieri explica que até 1889, com a Proclamação da República, era uma obrigação de todas as pessoas que estavam no Brasil serem católicas, mas isso foi desaparecendo. Atualmente é uma característica mais presente na sociedade pós-moderna essa troca religiosa ou a seguir mais de uma.
“As pessoas tendem a buscar novas religiões, às vezes atravessam por três, quatro, isso é uma característica da sociedade atual que se modifica com grande facilidade. Quando as grandes normas caíram, se tornou fácil sair de uma igreja e entrar em outra, atualmente você recebe um batismo em uma e, se quiser, pode receber em outra”, afirma.
DENOMINAÇÕES
O professor de Teologia e Filosofia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Gerson Moraes, acrescenta que o fiel brasileiro busca experimentar diversas religiões para encontrar solução para suas necessidades momentâneas. Por isso, muitos atravessam durante a vida por diversas denominações.
“A pessoa não vê diferença de discurso, ela frequenta aquilo que dá certo para ela. Se faz o sacrifício em uma igreja pentecostal e nada funciona, por exemplo, ela automaticamente passa para outra religião. Quer algo que dê resultado, é assim que as pessoas tratam a fé”, diz.
O pároco da Paróquia Santo Antônio em São Mateus, Patric da Silva Wanderley, diz que essa flutuação de fiéis é percebida pela Igreja Católica, que tem mudado a linguagem para manter e atrair mais jovens. No entanto, o padre considera esse movimento característico das novas gerações, que querem respostas imediatas para os problemas.
“Isso está ligado às características do ser humano atual, das novas gerações. Isso é notado nas universidades, nos relacionamentos afetivos e também nas igrejas. Os jovens se sentem mais livres de passarem de um lugar para outro, são senhores das próprias escolhas”, opina.
O assistente de departamento pessoal Daniel Ribeiro Gomes, de 27 anos, foi criado com os ensinamentos da igreja evangélica até os 16 anos, quando parou de frequentar os cultos. Seis anos após deixar a religião, foi chamado por uma colega para ir a um encontro de jovens na Igreja Católica e, foi nela, que se encontrou.
Sua participação ao longo dos anos foi só crescendo e, atualmente, toca violão e canta nas celebrações, frequenta o terço dos jovens e dos homens, entre outros diversos eventos nos últimos sete anos. “Eu sempre busquei a Deus, mas cada denominação tem uma forma diferente de fazer isso. Eu senti a Igreja Católica mais carismática e acolhedora, eu me sinto mais à vontade, mais realizado. A linguagem é muito próxima do jovem e isso tem atraído cada vez mais fiéis”, relata.
Do mesmo jeito que ele saiu da igreja evangélica e passou a frequentar a Igreja Católica, o contrário também é comum. A design de moda Venara Chagas Freire Palaoro, de 25 anos, nasceu na Igreja Católica, mas aos 17 anos começou a frequentar a Primeira Igreja Batista a convite de seu primo. A jovem passou a mesclar entre as duas religiões até que um ano depois optou pela evangélica.
“A diferença que eu senti foi a minha relação com Deus, agradeço meus pais por me encaminharem na católica, aprendi muito lá, gostava de frequentar com eles e nunca tive problema com a denominação, mas na Igreja Batista criei uma intimidade maior com Deus, que era o que eu buscava. Aprendi mais sobre a bíblia, criei amizades que tenho até hoje”, revela.