Publicado em 15 de fevereiro de 2021 às 17:16
- Atualizado há 5 anos
A vacina contra Covid-19 da Moderna, empresa de biotecnologia americana, induziu à produção de anticorpos com meia dose do imunizante em comparação com a dose total. >
Os resultados do estudo foram publicados no último dia 9 na revista especializada Vaccine.>
Se concluída a sua eficácia para proteger contra a Covid-19 em uma dose menor, isso poderia levar à imunização do dobro de número de pessoas com a mesma quantidade de doses.>
No ensaio clínico randomizado, controlado e cego de fase 2, 600 participantes, divididos em duas coortes, uma com participantes com 18 a 55 anos e outra com mais de 55 anos, foram distribuídos aleatoriamente para receber doses da vacina de 50µg, de 100µg ou placebo.>
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Cada participante recebeu duas doses do imunizante ou do placebo, com intervalo de 28 dias entre elas. O objetivo do estudo era avaliar a segurança e imunogenicidade da vacina em diferentes dosagens.>
A vacina, chamada de mRNA-1273, utiliza trechos do RNA do vírus, notadamente aqueles responsáveis pela codificação da proteína S da espícula do vírus, para induzir a produção de anticorpos e células de defesa. Ao ter contato com o vírus verdadeiro, o sistema imune estará preparado para impedir a infecção e replicação viral.>
Os voluntários foram recrutados entre os meses de maio a julho de 2020 e a pesquisa foi concluída nos dois meses seguintes.>
Para medir a taxa de produção de anticorpos anti-Sars-CoV-2, os cientistas coletaram sangue dos participantes no primeiro dia, antes da vacina, no dia 29, ou seja, 28 dias após a primeira dose, e nos dias 43 (14 dias após a segunda dose) e 57 (28 dias após a segunda dose).>
As amostras de sangue foram testadas tanto para anticorpos de ligação com o vírus (como os IgMs, associados a uma menor memória imunológica) quanto para anticorpos neutralizantes (associados a uma melhor resposta imune de memória).>
A resposta imune produzida por anticorpos foi alta nas duas coortes. Quatorze dias após a segunda dose da vacina, a taxa de seroconversão, ou seja, de produção de anticorpos neutralizantes, foi de 100% em todos os indivíduos participantes que receberam a vacina, e não o placebo.>
Os efeitos adversos mais comuns tanto na dosagem menor, de 50µg, quanto na dosagem maior, de 100µg, foram dor no local da injeção, sendo este o efeito mais reportado tanto no grupo mais jovem quanto nos indivíduos mais velhos.>
Após a segunda dose, os relatos mais frequentes também foram de dor no local da injeção, mas alguns participantes relataram dor de cabeça, fadiga e mialgia (dores no corpo) no grupo que recebeu o imunizante. Não houve nenhum efeito adverso grave relacionado à vacina.>
Para avaliar também a proteção da vacina contra a doença, os pesquisadores fizeram exames de RT-PCR a partir do swab nasal nos participantes. Do total de 600 voluntários, três tiveram resultados RT-PCR positivos para o Sars-CoV-2 com desenvolvimento de sintomas, dois dos quais receberam placebo e um que recebeu a dose de 50µg da vacina.>
Além dos casos sintomáticos, foram detectados mais quatro casos positivos para o vírus, mas assintomáticos, sendo três no grupo que recebeu o placebo e um participante que recebeu a meia dose da vacina.>
Os pesquisadores destacam, no entanto, que a produção de anticorpos neutralizantes tanto nos indivíduos mais velhos quanto mais jovens, nos dois esquemas de dosagem, foi muito acima da encontrada no sangue de pacientes que já tiveram Covid-19 e se recuperaram, o chamado soro convalescente (quatro e cinco vezes mais, respectivamente).>
O estudo, no entanto, não tem poder estatístico para avaliar o quanto o uso de uma dose menor da vacina em relação à dose total pode garantir proteção, dado que só pode ser apresentado em um ensaio clínico de fase 3.>
"O presente estudo não foi desenhado para uma comparação estatística de superioridade ou equivalência entre as doses de 50µg e 100µg da vacina mRNA-1273; por isso, as conclusões aqui expostas são qualitativas.">
Os cientistas fazem um alerta ainda que os dados mais robustos de proteção que os anticorpos conferem contra a infecção do Sars-CoV-2 são necessários e que a duração da proteção e a segurança da vacina mRNA-1273 estão sendo avaliadas nos 13 meses seguintes ao estudo.>
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