Publicado em 15 de fevereiro de 2021 às 16:38
- Atualizado há 5 anos
Para além de seringas e vacinas, produtores e a indústria de outros insumos médicos, como o algodão, necessário para aplicação das doses, alerta para a possibilidade de subida de preço do produto se não houver planejamento para atender à demanda. Apesar disso, eles praticamente excluem a possibilidade de falta de algodão para atender ao mercado interno. >
Boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado no início do mês, aponta que os preços do produto no Mato Grosso e na Bahia, maiores produtores do país, já subiram 20% e 18%, respectivamente. Segundo o órgão, além do dólar valorizado, a alta segue sustentada pela busca da indústria nacional para reposição dos estoques.>
O Brasil, quarto maior produtor, deve colher 2,7 milhões de toneladas de algodão em pluma em 2021, 9% a menos do que no ano passado. As áreas plantadas diminuíram, reflexo da baixa na procura pela indústria têxtil, em queda na pandemia, e menores preços de venda, que fizeram com que o produtor investisse mais em outras commodities, como soja e milho.>
Além da demanda interna, as exportações seguem batendo recordes. De acordo com o Ministério da Economia, até a terceira semana de janeiro, foram embarcadas 246 mil toneladas de pluma -80% do total registrado no primeiro mês do ano passado. A média diária de exportação também cresceu, de 14 mil toneladas para 16 mil.>
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O preço de venda para o mercado externo também chama a atenção. A média diária de receita com o produto passou de US$ 22 milhões em janeiro de 2020 para US$ 25,4 milhões no mesmo período em 2021, ainda sem os resultados da última semana do mês.>
"Se a exportação caminhar no mesmo ritmo podemos ter no futuro um desencontro de preço, oferta e demanda. Há estados que também têm aumentado impostos, o que gera mais pressão sobre custos", alerta o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel.>
Ele explica que o algodão hidrófilo, usado como insumo médico e na aplicação de vacinas, é um subproduto da indústria têxtil, que investe cerca de 15% do total da sua matéria-prima neste setor. A produção, segundo Pimentel, é de aproximadamente 2,5 mil toneladas por mês, voltada essencialmente para o mercado interno, que inclui o setor de beleza e de cosméticos.>
Assim, como aponta o presidente, os empresários precisam se programar para suprir um eventual aumento da demanda pelo produto. Ele recomenda que estados revisem seus estoques e já façam suas encomendas, seguindo o cronograma de vacinação.>
"O Brasil tem um programa enorme de vacinação realizado anualmente, mas é certo que a demanda não é tão precisa quanto a relacionada às seringas, por exemplo. Eu nunca tive informação de escassez desse insumo, mas, numa necessidade mais urgente, a indústria pode se adaptar para aumentar a produção desse algodão médico", aponta.>
Já o presidente da Abrapa (Associação Brasileira de Produtores de Algodão), Júlio Cézar Busato, lembra que a baixa na produção de 2021 deve ser compensada com o estoque do produto. "Se o consumo aumentar, o Brasil vai gastar o estoque, mas creio que o país está preparado para suprir qualquer necessidade", avalia.>
Mesmo assim, ele relembra que, com o aquecimento do mercado, a indústria têxtil está retomando os números. Com isso, a procura pelo algodão deve aumentar ainda mais nos próximos meses.>
Do lado dos profissionais da saúde, que esperam que o ritmo da vacinação caminhe mais rapidamente pelo país, o medo é de que cenas como as registradas no início da pandemia, como de falta de insumos e equipamentos de proteção, se repitam também durante a campanha de imunização, por falta de planejamento para a compra de materiais.>
"Não há como garantir que o Brasil está coberto com a quantidade que possui e pode produzir, já que não temos ideia do estoque e da demanda por estado com o andar da vacinação. Pode ser que países que iniciaram a imunização antes de nós entrem em uma competição por esses produtos", avalia Viviane Camargo, coordenadora da Câmara Técnica de Atenção à Saúde do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).>
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