Publicado em 11 de setembro de 2022 às 12:58
Ponto estratégico e de tensão na Guerra da Ucrânia, a usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, foi desligada por razões de segurança. A estrutura tem provocado temores devido ao seu potencial de catástrofe radioativa em decorrência do conflito, que completou 200 dias neste domingo (11).>
A estatal de energia nuclear ucraniana Energoatom informou que está sendo preparado o resfriamento do reator da usina, que deixou de gerar eletricidade. O complexo era responsável por cerca de 25% da energia do país antes do conflito.>
Curiosamente o desligamento só foi possível depois de ser restabelecida a eletricidade na região onde a usina está localizada. A energia havia sido cortada devido a combates, e Zaporíjia vinha sendo alimentada por apenas um de seis reatores que se mantinha operacional e fornecia energia a sistemas de segurança.>
De acordo com a Energoatom, o desligamento foi necessário para que o reator permaneça em seu "estado mais seguro". "No caso de novos danos nas linhas de transmissão que ligam a usina ao sistema elétrico — cujo risco permanece alto— as necessidades internas [da usina] terão de ser cobertas por geradores que funcionam a diesel", afirmou a estatal em comunicado.>
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O ato faz crescer ainda mais a pressão energética sobre o país invadido, que se prepara para um inverno de escassez à medida que a guerra continua.>
A usina de Zaporíjia foi tomada por forças russas ainda no começo do conflito. Nos últimos dias, ambos os lados vêm se acusando de travar perigosos combates em torno do complexo, o que aumenta o risco de acidentes radioativos. Há preocupações de que um reator ou depósitos de lixo atômico ao redor da estrutura sejam atingidos.>
A missão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para avaliar a situação na usina disse no começo do mês que os combates na região violaram "a integridade física" do local. Desde então, a Energoatom vem reiterando apelos pela criação de uma zona desmilitarizada em torno das instalações.>
O desligamento da usina coincide com a intensificação da contraofensiva ucraniana no conflito contra a Rússia. Kiev afirmou neste domingo que retomou neste mês mais de 3.000 quilômetros quadrados no nordeste do país. "Em torno de Kharkiv [segunda maior cidade da Ucrânia] começamos a avançar não apenas para o sul e leste, mas também para o norte", afirmou em comunicado o general Valeri Zaluzhni.>
O número é aproximadamente 30% superior à área mencionada um dia antes pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Neste sábado (10), as forças do país reivindicaram a retomada de territórios em Izium e Kupiansk, entreposto ferroviário que estava sob controle russo havia meses e pelo qual passavam suprimentos enviados de Moscou para o foco principal de sua ação, os combates no Donbass.>
A velocidade da contraofensiva aparentemente pegou as forças russas de surpresa. O Exército russo anunciou uma redistribuição de suas forças de Kharkiv para concentrar seus esforços na região de Donetsk, mais ao sul.>
Diante da contraofensiva, milhares de pessoas fugiram da região de Kharkiv para a Rússia em 24 horas, afirmou neste domingo Viacheslav Gladkov, governador da região russa de Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia. "Não foi a noite ou a manhã mais tranquilas. Nas últimas 24 horas, milhares de pessoas cruzaram a fronteira", disse em um vídeo compartilhado no Telegram.>
A maioria das pessoas que cruzaram a fronteira na região de Belgorod foi para casas de parentes ou amigos próximos, segundo Gladkov, que afirmou que a situação estava "sob controle" neste domingo.>
No início deste mês, o Exército ucraniano anunciou pela primeira vez uma contraofensiva no sul, antes de fazer um avanço surpresa nesta semana contra as linhas russas no nordeste do país.>
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