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Segunda onda

Repique de coronavírus bate recorde na Espanha, mas causa menos mortes

Foram mais de 106 mil testes positivos nas duas semanas. Na primeira onda, o pico havia sido de 102 mil novos casos em 14 dias, em 5 de abril

Publicado em 02 de Setembro de 2020 às 15:05

Redação de A Gazeta

Publicado em 

02 set 2020 às 15:05
Profissionais de Saúde fazem o teste do coronavírus, que transmite a covid-19 por drive- thru, em uma casa de repouso de Madri, na Espanha
Profissionais de Saúde fazem o teste do coronavírus, que transmite a covid-19 por drive- thru, em uma casa de repouso de Madri, na Espanha Crédito: MANU FERNANDEZ/AP
A temida segunda onda de infecção pelo novo coronavírus veio mais mansa na maioria da Europa, mas, na Espanha, está mais alta do que nunca.
O número de novos casos confirmados de Covid-19 nos 14 dias encerrados nesta terça (1º) foi recorde desde o início da pandemia, segundo relatório da ECDC (agência europeia de doenças infecciosas).
Foram mais de 106 mil testes positivos nas duas semanas. Na primeira onda, o pico havia sido de 102 mil novos casos em 14 dias, em 5 de abril.
A nova maré de alta assusta menos agora, porém, porque não vem acompanhada de maior registro de mortes.
Foram 482 óbitos nas últimas duas semanas, muito longe dos 11 mil que ocorreram no começo de abril. Segundo números oficiais, a taxa de mortalidade (porcentagem de casos conhecidos que terminam em morte) é agora de 6,6%, pouco mais da metade dos 12% de maio.
Para o ministro da Saúde da Espanha, Salvador Ilia, o novo pico não justifica a adoção de uma nova quarentena, já que não há pressão sobre os hospitais. Só 6% dos leitos para contaminados pelo coronavírus estão ocupados, segundo ele.
Um dos países mais atingidos pela Covid-19 na Europa no primeiro semestre, a Espanha viveu um colapso no sistema de saúde e adotou um dos confinamentos mais rígidos, que foi relaxado em junho.
O número de novos casos começou a crescer em julho, com o início das férias de verão. Mas a maior parte dos novos diagnósticos se dá agora em pacientes jovens, com menos tendência a desenvolver casos graves e menos risco de morte.
A idade média dos infectados agora é de 37 anos, contra 60 anos durante a primeira onda.
Apesar da ressalva, a Espanha é hoje o país europeu em que o vírus cresce mais rapidamente, em relação à população. Foram 227 novos casos na quinzena para cada 100 mil habitantes, seis vezes os 37/100 mil do vizinho Portugal e nove vezes os 25/100 mil da Itália.
Esses dois países, assim como Alemanha e Reino Unido, também viram um crescimento dos novos casos, mas ainda bem abaixo da primeira onda. Já a França também se aproxima do pico anterior, mas os novos casos ponderados pela população são a metade dos registrados na Espanha.
Entre as possíveis causas para o fenômeno espanhol foram apontadas festas de rua e em casas noturnas e a permissão para um número maior de pessoas em reuniões familiares.
Um dos principais destinos turísticos do continente, o país também recebeu mais estrangeiros durante as férias, o que pode ter elevado a circulação do vírus.
Ainda que seja menos preocupante do ponto de vista da saúde, a segunda onda espanhola começa a fazer novos estragos na economia, pois países começaram a proibir viagens à Espanha ou exigir quarentena dos que chegam de lá.
O turismo é uma das principais fontes de criação de empregos na Espanha nesta época do ano e contribui com mais de 12% do PIB (produto interno bruto) do país.
Com uma taxa de desemprego de 15%, já alta em relação aos outros países do continente, o mercado de trabalho espanhol pode chegar ao final do ano com até 23,6%, segundo o Banco Central.

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