Publicado em 14 de setembro de 2022 às 18:21
SÃO PAULO - O rei Charles III mal assumiu a posição e já tem dado o que falar em seu reinado. Durante os últimos dias, o rei viralizou e foi criticado por um motivo peculiar: sua briga com as canetas. >
Apesar de singelas, elas já têm dado dor de cabeça ao monarca. Primeiro, ele apareceu pedindo para um funcionário limpar sua mesa e tirar do caminho um porta-canetas. Depois, ele se irritou com o tinteiro estourado durante uma cerimônia de assinatura na Irlanda do Norte.>
A cena gerou memes com a situação, e, no Twitter, muitos sugeriram o que parecia ser uma solução simples: usar uma caneta Bic.>
"Tenho certeza de que uma caneta Bic resolveria o problema do rei Charles", comentou uma.>
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"Que rei ranzinza! Se reclama de uma caneta imagina como deve ser chato", ressaltou uma internauta.>
"Deve ser tenso esperar 73 anos para ter toda essa responsabilidade de assinar um livro de presença", tentou ponderar outra pessoa.>
A origem francesa da caneta Bic pode ser um fator importante para o seu não uso pelo monarca.>
A marca começou em 1944, quando Marcel Bich, ex-gerente de produção de uma fábrica de tintas, decidiu comprar uma pequena fábrica na cidade de Clichy, ao norte de Paris. Ao lado do sócio, Edouard Bouffard, eles iniciaram a produção de peças para canetas-tinteiro e lapiseiras — que viriam a se tornar a popular Bic.>
Como ingleses e franceses tiveram ao longo da história alguns momentos de rivalidade, evitar usar um objeto francês publicamente pode ser parte do rígido protocolo britânico.>
Desde o século 20, franceses e ingleses tornaram-se aliados em momentos históricos cruciais — em ambas as guerras mundiais foram aliados, o que aproximou essas potências.>
Mas no período medieval, houve a Guerra dos Cem anos (1337-1422), em que ambas as monarquias se constituíam e buscavam sua consolidação no poder.>
Também houve um novo período de rivalidade durante o governo de Napoleão Bonaparte (1799-1814) em que impôs um bloqueio comercial aos ingleses com intuito de fragilizar a economia inglesa.>
Ainda no século 19, ingleses e franceses rivalizaram-se pelo controle do canal de Suez.>
Mas a questão da caneta não termina aí.>
A caneta, historicamente e culturalmente, tem uma relevância muito grande. "Ela se torna um objeto histórico, como vemos no (documentário) História das Coisas, de um momento histórico. Ao que se percebe no vídeo, é uma caneta mais representativa para este momento, não é momento para populismos. É um momento de usar uma caneta que a tinta vai se eternizar", aponta a historiadora Jaqueline Rodrigues Antônio, especialista educação pela Unicamp (Universidade de Campinas).>
De fato, o momento de sucessão é um acontecimento histórico, considerando a longevidade da rainha Elizabeth 2ª, e é compreensível o nervosismo do novo rei, diz o historiador Marcelo Bonfim, professor no IFSP (Instituto Federal de São Paulo) Campinas.>
"Pelo momento delicado, compreende que seja estressante, que alguma coisa que dê errado seja motivo de mais exaltação. Um sucessor de uma pessoa tão popular, como foi a rainha Elizabeth 2ª, fica mais com a pecha de impopular, longe das pessoas, por qualquer impulso" ressalta.>
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