Publicado em 7 de abril de 2021 às 17:05
- Atualizado há 5 anos
O FMI (Fundo Monetário Internacional) alerta para o risco de uma retirada prematura de medidas de apoio fiscal, o que pode retardar a recuperação econômica global. Para o Fundo, a ação governamental é o meio de evitar que o aumento das desigualdades gerado pela pandemia resulte em chances injustas de sucesso de vida.>
As afirmações são parte do relatório "Monitor Fiscal - Uma dose justa", divulgado nesta quarta-feira (7), que destaca a necessidade de um programa de imunização amplo e de medidas para reduzir as desigualdades que devem se ampliar com a pandemia.>
"As prioridades da política fiscal incluem apoio contínuo conforme necessário, enquanto a vacinação prossegue e a recuperação se fortalece", diz o Fundo no relatório. "Em geral, quanto mais tempo durar a pandemia, maior é o desafio para as finanças públicas.">
No texto, o FMI afirma que a vacinação global pode ser o projeto público com o maior retorno já identificado, ao promover ganhos de crescimento econômico e redução nas despesas com programas de auxílio a famílias e empresas.>
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Segundo o Fundo, o custo da vacinação global se pagaria com um mercado de trabalho e uma atividade econômica mais fortes, que levariam ao aumento da arrecadação de impostos e à redução considerável das medidas de apoio fiscal.>
Em um ano de pandemia, o gasto mundial com apoio fiscal alcançou US$ 16 trilhões, aproximadamente o valor do PIB (Produto Interno Bruto) da China em 2019.>
"A vacinação global pode muito bem ser o projeto público com o maior retorno já identificado", afirma Vitor Gaspar, diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI.>
"A corrida para a vacinação está acelerando, mas o progresso é muito desigual em todos os países e regiões do mundo. Se o progresso na vacinação for acelerado para atingir a todos, os benefícios de saúde, econômicos e sociais seriam enormes.">
Gaspar afirma também que um ciclo vicioso de desigualdade pode se transformar em uma rachadura sísmica política e social. Ele defende ser necessário garantir acesso a serviços públicos básicos (saúde, educação e segurança social) e fortalecer políticas redistributivas. "Essas fortes demandas no setor público exigem um bom governo.">
Segundo o Fundo, é crucial garantir o acesso justo a vacinas seguras e eficazes para todos, começando com os trabalhadores da linha de frente e aqueles em grupos de alto risco, independentemente das fronteiras nacionais. "Cooperação global, incluindo suporte financeiro para o Covax [consórcio global de vacinas dirigido pela Organização Mundial da Saúde], é necessário para fornecer suprimentos para países com atrasos nos esforços de vacinação.">
Nesta terça (6), o ministro Paulo Guedes (Economia) enviou ao FMI pedido de cooperação internacional para diminuir a desigualdade de financiamento e distribuição de vacinas contra a Covid-19 entre os países.>
Até que a pandemia seja controlada globalmente, diz o FMI, a política fiscal deve permanecer flexível e apoiar os sistemas de saúde, as famílias, as empresas viáveis e a recuperação econômica.>
Em um momento em que muitas economias reduzem as medidas de apoio fiscal, como o Brasil, o Fundo avalia que os governantes precisam equilibrar as desvantagens de ter uma grande e crescente dívida pública e privada com os riscos da retirada prematura do apoio fiscal, que pode retardar a recuperação.>
No relatório o Fundo voltou a propor a taxação global de altas rendas e riquezas para financiar, temporariamente, a recuperação da economia no pós-pandemia.>
"Para ajudar a atender às necessidades de financiamento relacionadas à pandemia, os formuladores de políticas podem considerar uma contribuição temporária para recuperação da Covid-19, cobrada sobre altos rendimentos ou riquezas", diz o FMI.>
Segundo a instituição, reformas tributárias domésticas e internacionais nesse sentido são necessárias, especialmente quando a recuperação ganha impulso, para acumular recursos necessários para melhorar o acesso a serviços básicos, redes de proteção social e revigorar os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.>
Outras medidas fiscais que poderiam ajudar países muito endividados seria aprovar ações com impactos de médio prazo, como uma "pré-aprovação" de futuras reformas fiscais, em um ritmo condicionado à recuperação da economia.>
Déficit do Brasil em 2020 fica atrás apenas dos EUA no mundo O Fundo calcula que as contas do setor público, em nível mundial, continuarão com déficits em patamares elevados em 2021 e passarão por um ajuste fiscal mais forte a partir de 2022. Elas voltariam ao nível pré-crise a partir de 2026.>
Com um dos maiores pacotes de estímulo econômico do mundo em 2020, o Brasil ficou entre os três maiores resultados negativos entre as economias mais relevantes (13,4% do PIB), ao lado do Reino Unido e abaixo dos EUA (15,8% do PIB).>
O FMI projeta que a economia brasileira fará um ajuste fiscal relevante neste ano, com a redução do gasto com auxílio emergencial ajudando a reduzir o déficit para 8,3% do PIB, abaixo da média das economias avançadas e de emergentes como China, Índia e África do Sul. Nos anos seguintes, no entanto, o Brasil voltaria a se destacar entre os maiores déficits.>
O Fundo diz que a incerteza quanto às perspectivas fiscais é excepcionalmente alta. Por um lado, vacinações mais rápidas do que o esperado podem acelerar o fim da pandemia, aumentando a arrecadação e reduzindo a necessidade de apoio fiscal adicional.>
Mas, por outro lado, há fatores que podem inibir a recuperação, como uma retração econômica mais prolongada, o crescente descontentamento social, um aperto abrupto das condições financeiras em meio ao alto endividamento, o aumento nas falências e a vo latilidade nos preços das commodities.>
A dívida pública média mundial cresceu de 83,7% para o patamar inédito de 97% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020. O FMI projeta um aumento para cerca de 99% do PIB mundial em 2021, quando o indicador deve se estabilizar.>
A dívida bruta do Brasil passou de 87,7% para 98,9% do PIB em 2020 e deve chegar a 98,4% no final deste ano. Depois, subiria até 101,7% em 2026, último ano para o qual há projeção.>
O cálculo do FMI é diferente do utilizado pelo Banco Central do Brasil, que calcula a dívida bruta em cerca de 90% do PIB, pois não inclui, por exemplo, os títulos do Tesouro em poder do BC.>
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