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Covid-19

Decisão sobre tratamento intensivo não deve se basear só em idade, diz OMS

A organização também alertou sobre o risco de uma possível segunda onda de infecções quando as medidas de isolamento forem relaxadas

Publicado em 23 de Abril de 2020 às 18:12

Redação de A Gazeta

Publicado em 

23 abr 2020 às 18:12
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS Crédito: Divulgação/OMS
Decisões sobre quem deve ser internado numa UTI se faltarem vagas para atender casos de Covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus) não devem se basear apenas na idade, afirmou nesta quinta-feira (23) a seção europeia da OMS (Organização Mundial da Saúde).
A organização manifestou preocupação com o número de idosos mortos em asilos na Europa, que chegam a 64% do total de mortes provocadas por coronavírus, de acordo com dados de sete Estados compilados pela LTC (entidade de políticas públicas para instituições de longa permanência): Bélgica, França, Noruega, Irlanda, Espanha, Portugal e Canadá.
Além disso, até 73% dos funcionários e 69% dos residentes de casas de idosos tiveram resultado positivo para o novo coronavírus em três estudos epidemiológicos realizados nos EUA, segundo a LTC, com metade dos casos assintomáticos.
Para Catherine Smallwood, responsável pelo setor de Emergências da seção europeia da OMS, é preciso reforçar testes de funcionários e de todos os casos suspeitos nos asilos, e os doentes devem ser tratados.
Segundo a especialista da OMS, embora os dados mostrem que 95% dos mortos por coronavírus tinham mais de 60 anos, idosos saudáveis, sem doenças cardíacas ou diabetes, têm grandes chances de sobreviver à Covid-19. Catherine também afirmou que é preciso garantir que os pacientes foram curados antes de voltarem para os asilos.
A OMS também afirmou nesta quinta que a falta de segurança dos testes de anticorpos e de conhecimento sobre a imunidade de quem teve Covid-19 inviabiliza a ideia de adotar "passaportes de imunidade" como estratégia para retomar as atividades econômicas.
Segundo a organização, testes de anticorpos são importantes para acompanhar a evolução da epidemia numa população, mas não permitem nenhuma conclusão no nível do indivíduo.
Catherine disse que a OMS e os governos devem "monitorar com muito cuidado" o risco de uma segunda onda de infecções quando medidas de isolamento começarem a ser relaxadas, e que apostar numa estratégia como a dos certificados de imunidade eleva esse risco.
O primeiro problema, diz ela, é que os testes atualmente disponíveis apresentam muitas falhas e ainda não foram validados. Neste mês, o Reino Unido descartou 2,3 milhões de kits de diferentes tipos de testes de anticorpos, porque nenhum passou pelo controle de qualidade.
O segundo limitador, segundo a especialista, é que ainda não há conhecimento científico sobre a imunidade de quem contraiu o coronavírus e se curou. Pesquisas preliminares indicam que nem todos desenvolvem anticorpos, e ainda não se sabe se os anticorpos evitam que a pessoa se contagie outra vez e adoeça.
Catherine disse que, quando a pandemia estiver controlada, será preciso implantar um sistema de vigilância global, que identifique a Covid-19 em qualquer lugar do mundo. "Qualquer novo caso em qualquer país representa um risco global. Tudo o que é feito no nível local terá impacto global", afirmou.
A capacidade de rastrear a doença e reagir logo para conter a transmissão será crucial para evitar novas crises, segundo a especialista.
Para o diretor regional da OMS Europa, Hans Kluge, será fundamental a coordenação e a cooperação internacional. "Não adianta um país trabalhar sozinho. Se o vizinho não controlar a pandemia, ele será atingido."

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