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Pesquisa

Cresce percepção de que homens têm mais vantagens que mulheres, diz estudo

De acordo com a pesquisa, 46% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que os homens têm uma vida mais fácil do que a das mulheres
Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 abr 2020 às 12:13

Publicado em 30 de Abril de 2020 às 12:13

Desigualdade de genero
Desigualdade de gênero Crédito: Freepik
Aumentou a percepção de que os homens têm uma vida melhor do que as mulheres em 16 países do mundo, segundo estudo do Pew Research Center divulgado nesta quinta-feira (30). No entanto, há grande otimismo de que a igualdade de gênero será alcançada no futuro.
Na média, que considera os 34 países pesquisados, 46% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que os homens têm uma vida mais fácil do que a das mulheres, 15% disseram que as mulheres têm mais vantagens e 31% citaram que ambos têm a mesma qualidade de vida.
Para os pesquisadores, essa mudança de percepção se deve ao aumento do debate e de ações em busca da igualdade de gênero e para combater ataques às mulheres, como o movimento #MeToo, de combate ao assédio sexual. Nos últimos anos, a disparidade salarial entre homens e mulheres e as limitações para elas crescerem na carreira e expressarem seus pontos de vista também ganharam espaço nas redes sociais e no noticiário.
No Brasil, essa percepção das vantagens masculinas subiu de 42% para 52% nos últimos nove anos.
"No geral, os brasileiros demonstram grande apoio à igualdade de direitos e preferência por casamentos igualitários [nos quais homens e mulheres têm direitos e responsabilidades equivalentes]", diz a pesquisadora Janell Fetterolf, que trabalhou nesse estudo.
Houve altas expressivas na percepção de que os homens têm mais vantagens também na Turquia, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Argentina, entre outros países. A Polônia foi um dos poucos que registraram queda, ao lado da França.
A pesquisa do Pew, um centro de pesquisa sediado em Washington, ouviu 38.426 pessoas em 34 países, entre maio e outubro de 2019. No entanto, a comparação entre a situação atual e a de 2010 não pode ser feita em todos eles, por falta de dados da época.
O estudo mostra ainda que a igualdade de gênero é bastante valorizada por quase toda a população em muitos países. No Reino Unido, França e Alemanha, assim como nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Brasil e Austrália, mais de 85% dos entrevistados a consideram muito importante.
Esse percentual diminui no leste da Europa, em países como Ucrânia e Rússia. O percentual também é menor na África.
"Em ao menos 26 países, as pessoas com mais anos de estudo tendem a considerar mais importante a igualdade de gênero do que as que estudaram menos", diz o relatório.
O estudo também questionou as pessoas sobre situações práticas. Quatro em cada dez entrevistados disseram que, em caso de uma crise, os homens devem ter prioridade nos empregos, e 56% se posicionaram contra essa afirmação. Já 54% disseram que os homens têm mais oportunidades de obter salários altos.
Em outra questão, 44% disseram que os homens têm mais chances de assumir cargos de liderança, e 49% disseram que há possibilidades iguais.
Em questões familiares, a maioria disse que ambos têm a mesma influência. Apesar disso, mais pessoas atribuíram aos homens a responsabilidade pelas finanças, e às mulheres a formação dos filhos.
Sobre o futuro, 75% das pessoas disseram acreditar que um dia as mulheres terão os mesmos direitos e oportunidades que os homens. E 5% disseram que elas já atingiram essa condição.
No entanto, na maioria dos países, os homens são mais otimistas quanto a isso do que as mulheres.
No Brasil, 69% das mulheres disseram acreditar nessa possibilidade, enquanto o percentual entre os homens foi de 82%.
"Comparado com outros países latino-americanos que pesquisamos, no Brasil as pessoas são relativamente menos otimistas sobre o futuro da igualdade de gênero e veem mais vantagens para os homens no país, como obter empregos com salários altos, ser líderes de suas comunidades, expressar suas visões políticas e ter uma boa formação, na comparação com Argentina e México", aponta Fetterolf.

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